Cientistas descobrem álcool e açúcar em cometa

Se você está planejando uma festa realmente impressionante, considere um cometa. Chegar lá é um desafio, mas os convidados não terão que trazer o seu próprio álcool – ou açúcar. A notícia vem de um estudo do cometa Lovejoy, cujo nome completo é C / 2014 Q2, publicado na revista Science Advances, e pode indicar que a Terra tinha moléculas orgânicas desde seu início.

C / 2014 Q2 ficou visível a olho nu em janeiro, propiciando como nunca antes uma bela oportunidade de estuda-lo em detalhes.

Enquanto a sonda Rosetta está nos dando informações sem precedentes sobre o cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko, o Lovejoy é muito diferente. 67P leva 6,44 anos para orbitar o Sol, enquanto o Lovejoy visitou pela última vez o interior do sistema solar 11.500 anos atrás.

Cientistas descobrem álcool e açúcar em cometa

Usando o telescópio de 30 metros no Instituto de Radioastronomia em Sierra Nevada, Espanha, o Dr. Nicolas Biver, do Observatório de Paris, estudou a radiação do Cometa Lovejoy e detectou etanol (CH3CH2OH) e açúcar gliceraldeído (HOCH2-CH = O).

Gliceraldeído não é um verdadeiro açúcar, mas é considerado uma molécula relacionada ao açúcar. Um distribuidor gigante de álcool e açúcar circulando no sistema solar?

Onze anos atrás, Biver ajudou a descobrir a presença de etilenoglicol (anticongelante) no cometa Hale-Bopp. Tanto o etanol como glicolaldeído foram encontrados anteriormente no espaço, mas nunca antes em cometas. Dezenove outras moléculas foram detectadas no mesmo estudo, mas o resto tinha sido encontrada em outros cometas.

“A falha para detectar previamente o álcool etílico e o glicolaldeído é provavelmente porque nós não tínhamos o equipamento certo”, disse Biver. “O álcool metílico é mais volátil do que o álcool etílico, mas foi detectado em muitos cometas de curto período.”

O seu grande núcleo e proximidade com o Sol fez C / 2014 Q2 o segundo cometa mais ativo dos últimos 30 anos, liberando cerca de 20 toneladas de água por segundo. 67P / Churyumov-Gerasimenko, por outro lado, está liberando cerca de 150 quilogramas por segundo. Hale-Bopp era nove vezes mais ativo, mas Biver diz que os instrumentos utilizados para estudá-lo eram menos sensíveis e cobriam uma parte muito menor do espectro.

Biver acrescentou que enquanto a maioria das moléculas orgânicas complexas são destruídas em uma colisão com um planeta, algumas podem sobreviver, ou mesmo reagir no impacto para formar moléculas mais complexas. Segundo os cientistas, esse pode ter sido o caso da Terra primitiva, que foi bombardeada por cometas. [IFLScience]

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