Cereal radioativo de Chernobyl é destilado em vodca

Em breve, os caçadores de emoções que visitarem as ruínas da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, poderão levar para casa um pedaço da história radioativa do local – em seus fígados.

Uma equipe de cientistas do Reino Unido e da Ucrânia acaba de produzir a primeira garrafa do que eles chamam de vodca Atomik, feita a partir da água e grãos colhidos da zona de exclusão proibida do reator.

Embora a zona de 2.600 quilômetros quadrados em torno da usina tenha sido inicialmente declarada inabitável por seres humanos por 24.000 anos após o colapso de 1986, os fabricantes da Atomik garantiram à BBC News que seu produto não é mais radioativo do que qualquer outro licor no mercado.

Parte disso é porque grande parte da zona de exclusão não é tão perigosa quanto se temia há 33 anos. Alguns focos de radiação – como a Floresta Vermelha, onde grande parte do material radioativo do reator foi derramado – permanecem fora dos limites para os visitantes. No entanto, na maior parte, o risco de contaminação por radiação em grande parte da zona de exclusão é agora considerado “insignificante” pelo governo ucraniano, que reabriu a zona ao turismo há quase uma década.

Hoje, Chernobyl é o destino turístico nº 1 na Ucrânia, hospedando mais de 60.000 visitantes em 2018, informaram autoridades de turismo locais. As visitas aumentaram em cerca de 40% em maio de 2019, após a estréia da minissérie “Chernobyl“, da HBO.

Ainda assim, viagens para a zona são altamente controladas, com grupos de turistas muitas vezes proibidos de tocar plantas locais ou comer produtos locais. Segundo Anders Moller, um biólogo que passou várias semanas por ano estudando a zona de exclusão nas últimas décadas, as culturas locais são frequentemente contaminadas com radiação e podem causar “problemas sérios” se ingeridas.

Com certeza, o centeio que os fundadores da Atomik cultivaram na zona de exclusão para sua vodka testou positivo para radiação. No entanto, de acordo com o co-fundador da Atomik e professor da Universidade de Portsmouth, Jim Smith, todos os vestígios de contaminação desaparecem no processo de destilação, durante o qual o líquido fermentado é purificado e água e outras substâncias diluidoras são removidas.

“Qualquer químico lhe dirá, quando você destilar algo, as impurezas permanecem no produto residual”, disse Smith à BBC. (Testes de radiação conduzidos pelos colegas de Smith na Universidade de Southampton confirmaram que o produto é tão seguro quanto qualquer outra bebida.)

Apenas uma garrafa de vodca Atomik existe no momento, mas os fundadores esperam fazer pelo menos 500 outras até o final do ano e vendê-las para os turistas sedentos de Chernobyl. De acordo com Smith, 75% dos lucros da vodca vão voltar para os moradores das aldeias da zona de exclusão, que tiveram pouco desenvolvimento econômico desde o desastre nuclear de 33 anos atrás.

“Depois de 30 anos, acho que o mais importante na área é o desenvolvimento econômico, não a radioatividade”, disse Smith à BBC.

A vodka Atomik é o primeiro produto de consumo a sair da zona de exclusão desde o colapso, informou a BBC.

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