Cada pessoa tem uma “nuvem viva invisível” ao seu redor, estudo conclui

Não é nenhum segredo que nós estamos cobertos de organismos microscópicos, tanto dentro como fora. Na verdade, existem 10 vezes mais células bacterianas em nosso corpo do que células humanas, e elas compõem 98% de nosso material genético, existindo em todos os lugares, desde dentro de nossas bocas e nas pontas dos nossos cílios, até sob a nossa pele e nos nossos sistemas digestivos.

E eu sinto muito em dizer isso, mas você estará cercado por uma “nuvem” de micróbios que está sendo derramada de seu corpo a uma taxa constante – 24 horas por dia. E como a população de micróbios é única, os cientistas agora acreditam que as criaturas minúsculas que você deixa para trás podem ser usadas para identificá-lo.

Um novo estudo conduzido por James Meadow, da Universidade de Oregon, nos EUA, conclui que “os indivíduos liberam sua própria nuvem microbiana personalizada”, e esta nuvem é composta de três fontes principais – poeira, partículas de nossas roupas, e partículas de nós mesmos.

Como Nick Stockto explica:

“Quando você cutuca seu nariz, arrota, ou sinaliza um aceno ao chefe, micróbios juntam-se a nuvem. E, desculpe se você estava comendo, mas seus gases também podem se juntar a essa nuvem.”

Meadow e seus colegas testaram a “singularidade” de nuvens microbianas humanas fazendo três voluntários sentarem-se sozinhos em uma câmara higienizada preenchida com ar filtrado. Eles foram convidados a colocar um equipamento para medir “suas emissões”, e sentaram-se em uma cadeira desinfectada e usaram um laptop esterilizado para se comunicar com os pesquisadores externos. Para a primeira sessão, eles tiveram que permanecer na câmara durante 4 horas e, em seguida, após uma pausa, por mais 2 horas.

Conforme cada voluntário sem querer lançava seus vários micróbios, eles eram filtrados e sequenciados geneticamente de modo que os pesquisadores podiam descobrir quais tipos de bactérias cada pessoa emitia. As bactérias mais comuns encontradas foram Streptococcus, da boca, Corynebacterium e Propionibacterium, ambas da pele.

A equipe, então, criou uma outra experiência para ver se eles podiam usar essas nuvens de micróbios para identificar seus voluntários. Oito novos voluntários foram convidados a sentar-se na câmara esterilizada por duas sessões de 90 minutos, e os micróbios descartados foram analisados como no primeiro experimento.

“Nós esperávamos que seríamos capazes de detectar o microbioma humano no ar em torno de uma pessoa, mas ficamos surpresos ao descobrir que poderíamos identificar a maioria dos ocupantes apenas pela amostragem de sua nuvem microbiana”, disse Meadow. Os resultados foram publicados na revista PeerJ.

Quando se trata de usar nuvens microbianas para identificar as pessoas no futuro – como criminosos que fugiram da cena do crime, mas deixaram seus micróbios descartados para trás – as coisas não vão ser tão fáceis. Em teoria, a polícia conseguiria identificar micróbios específicos de lugares que uma pessoa foi, ou coisas que ela comeu, mas a menos que a cena do crime aconteça em uma câmara esterilizada, haverá muitas outras coisas descartando seus próprios micróbios, como pessoas inocentes, animais e objetos empoeirados.

Talvez uma aplicação mais promissora é identificar a propagação de infecções e doenças em hospitais.

Fonte: ScienceAlert

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