Autoressuscitação: o fenômeno mais assustador que você já ouviu falar

Autoressuscitação: o fenômeno mais assustador que você já ouviu falar

Você provavelmente já ouviu falar de autoressuscitação, seja através de algum filme, história ou até mesmo em sua própria imaginação, se questionando se algum dia isso seria possível. Imagine só você bater as botas, seus batimentos pararem, e momentos depois, tudo voltar ao normal e levantar-se como se ‘nada’ tivesse acontecido. Assustador!

Por incrível que pareça, revistas médicas documentaram pelo menos algumas dezenas de casos de pessoas que morreram e, de alguma forma, voltaram à vida. O termo mais atraente para este fenômeno é o “Fenômeno de Lázaro”, assim chamado devido ao homem ressuscitado dos mortos por Jesus no ensino cristão.

Embora a maioria dessas pessoas eventualmente sucumbam à morte, quase um terço consegue se recuperar completamente. Mas, de acordo com várias pesquisas, essa maravilha pode ser mais comum do que a maioria das pessoas suspeita. Isso devido à falta de relato vinculada a preocupações legais.

Durante séculos, as pessoas ficavam ansiosas quanto ao pronunciamento de morte incorreto e aos enterros prematuros. Na década de 1800, o medo de ser enterrado vivo, conhecido como taphofobia, era tão presente que muitas pessoas incluíam provisões em seus testamentos pedindo testes para confirmar a morte, como despejar líquidos quentes na pele ou fazer incisões cirúrgicas. Esta paranoia eventualmente levou a uma nova classe de “caixões de segurança” com tubos de respiração, sinos e até fogos de artifício, que permitiria que qualquer pessoa enterrada prematuramente sinalizasse que estava viva.

Vedamurthy Adhiyaman, um consultor geriatra do Hospital Glan Clwyd no norte do País de Gales, se interessou pelo fenômeno depois de contemplá-lo no início dos anos 2000. Sua equipe havia conduzido uma RCP (ressuscitação cardio pulmonar) em um homem idoso de 70 anos por cerca de 15 minutos, sem resposta.

“Não há um período de tempo definido para o tempo que você deve tentar a RCP antes de parar”, diz Adhiyaman. “Realmente varia de caso a caso”. Embora Adhiyaman não tenha declarado a morte oficialmente imediatamente depois de parar a RCP, um membro de sua equipe disse à família que o homem havia morrido. Na verdade, a situação não era tão simples assim.

“Depois de cerca de 15 a 20 minutos, ele começou a respirar”, disse Adhiyaman. “Mas ele permaneceu inconsciente em coma nos próximos dois dias, até morrer no terceiro dia”.

A família acreditava que o RCP não deveria ter sido interrompido e que a equipe havia fornecido cuidados precários, o que levou Adhiyaman ao tribunal. “Foi naquela época que eu comecei a pesquisar esse fenômeno, porque eu tinha que mostrar provas de que essas coisas acontecem”, diz ele.

Depois de estudar literatura médica, Adhiyaman descobriu 38 casos do Fenômeno de Lázaro, que demonstraram ser suficientes para revelar sua legitimidade e liberá-lo de sua sentença. Em sua revisão de 2007 sobre o assunto, publicado no Jornal da Sociedade Real de Medicina, Adhiyaman descobriu que, em média, esses pacientes retornaram à vida sete minutos após a interrupção do RCP, embora um monitoramento próximo em muitos casos fosse inconsistente. Três pacientes foram deixados sem vigilância por vários minutos, com um se dirigindo até o mortuário do hospital antes de serem descobertos vivos.

Entretanto, os avanços nas tecnologias médicas e nas técnicas de ressuscitação que sustentam a vida só adicionaram complexidades – resultando em novos questionamentos, como em que ponto a morte, clinicamente falando, se torna irreversível?

“Embora este seja um fenômeno raro e mal compreendido, é preciso ter muita cautela quando devemos declarar alguém morto”, diz Daugherty, um professor associado de pediatria no Centro Médico da Universidade de Rochester. “Definitivamente é motivo de preocupação”. [Smithsonian] [Wired]

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