As ‘Bruxas de Jundiaí’: A mãe e filha que foram acusadas de bruxaria no século 18

A Igreja Católica foi responsável por uma série de eventos “questionáveis” ao longo da história. E um dos seus momentos mais obscuros foi a Inquisição, período em que mulheres de várias regiões do planeta foram perseguidas e mortas sob a acusação de praticarem “bruxaria”. Bastava que uma mulher desagradasse o marido, um familiar ou algum vizinho próximo para que ela fosse denunciada e levada a julgamento. E normalmente ela acabava sendo executada.

Ilustração mostrando mulheres condenadas pela Inquisição. | Domínio Público

Mas se você acha que a Inquisição se restringiu à Europa, você está enganado. Apesar deste período lamentável da história da humanidade ter iniciado em meados do século 12, ele repercutiu muitos anos depois aqui mesmo, no Brasil. Em 1754, na cidade de Jundiaí, Thereza Leyte e Escolástica Pinta da Silva foram acusadas de bruxaria pelo então chamado ‘Tribunal do Santo Ofício da Justiça Eclesiástica’. A acusação dizia que, supostamente, mãe e filha teriam feito um tipo de “pacto com o demônio”, culminando na morte do primeiro marido de Escolástica, que se chamava Manoel Garcia. De acordo com o tribunal, a morte do homem teria acontecido por influência direta dos atos de bruxaria das duas mulheres.

Jundiaí foi uma das cidades brasileiras atingidas pelo Tribunal do Santo Ofício, instituição consolidada em território brasileiro que recebia a visita de inquisitores de Portugal. A atribuição desses visitantes nada simpáticos era investir e punir comportamentos que pudessem estar se desviando daquilo que era esperado pelo catolicismo.

O assunto foi abordado pela pesquisadora Narayan Porto, que escreveu a pesquisa de mestrado intitulada ‘Feitiçaria paulista: transcrição de processo-crime da Justiça Eclesiástica na América portuguesa do século 18‘. Narayan utilizou manuscritos originais da Cúria Metropolitana de São Paulo nas suas pesquisas, mostrando a história das duas mulheres que, supostamente, haviam utilizado “feitiçaria” para matar Manoel Garcia. A história conta que o homem havia voltado doente de uma viagem para Goiás, e por conta disso vários parentes de Manoel passaram a acusar a esposa e a sogra de terem conjurado um tipo de maldição contra ele.

Manoel, na verdade, morreu de lepra, uma doença que naquela época era extremamente fatal. No entanto, com o intuito de tirar proveito dos bens do falecido, a família decidiu incriminar as mulheres. Para isso, chegaram até mesmo a bolar um plano com um escravo que era conhecido por praticar feitiços. A ideia era que o escravo espalhasse a notícia de que Thereza e Escolástica haviam se envolvido com técnicas de bruxaria para causar a morte do homem.

No tribunal, as mulheres tiveram que se defender das acusações de terem “causado feridas no corpo do homem apenas ao tocá-lo”. Escolástica também foi acusada de ter provocado dores estomacais no marido depois de manipular seu prato de comida.

Curiosamente, fugindo dos padrões daquilo que acontecia na Europa no começo das inquisições, o tribunal não encontrou provas suficientes para incriminar as mulheres, que acabaram sendo inocentadas.


Este artigo possui informações do Uol.com.

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