Arqueólogos encontram pingente semelhante ao de Anne Frank em campo de concentração

Arqueólogos descobriram um pingente de uma menina judia alemã – quase idêntico ao que pertencia a Anne Frank – nas ruínas de um campo de concentração nazista no Leste da Polônia.

A descoberta fez com que pesquisadores procurassem mais informações sobre a jovem dona do pingente e suas possíveis ligações com a família Frank.

O pingente de prata foi desenterrado no campo de concentração de Sobibor, no qual cerca de 200 mil pessoas foram mortas entre 1942 e 1943. Os arqueólogos têm escavado o local desde 2007, tentando salvar e estudar tudo que for possível antes que um memorial e museu seja construído no local.

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No campo de concentração de Sabibor, arqueólogos encontram pingente de prata praticamente igual ao de Anne Frank. Provavelmente, ele era de uma menina judia alemã chamada Karoline Kohn.

As escavações têm como objetivo ajudar os historiadores a entender os acontecimentos locais com maior precisão, já que os nazistas encobriram muitas evidências dos seus crimes demolindo prédios ou queimando documentos. Até agora, os arqueólogos encontraram câmaras de gás e crematórios, além de milhares de artefatos pessoais, como óculos, joias, dentaduras e até mesmo um copo do Mickey Mouse.

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Os nazistas tentaram acabar com todas as evidências deste campo de concentração, mas ainda assim, os arqueólogos acharam diversos itens.
Crédito de imagem: Yoram Haimi

Em outubro do ano passado, arqueólogos encontraram uma área onde eles acreditam que foi um quartel onde as prisioneiras eram despidas, tinham suas cabeças raspadas e eram enviadas para andar sobre a chamada “Himmelfahrtsstrasse”, ou “caminho para o céu”: um caminho que levava para a câmara de gás.

Yoram Haimi, um dos líderes da escavação, afirmou que os restos do edifício estão em má forma, com apenas alguns pilares de sustentação sobrevivendo. Ao percorrer esta área, Haimi e seus colegas encontraram um grande número de joias que provavelmente foram derrubadas por mulheres mortas no local.

O pingente de prata encontrado entre estes artigos pessoais contém uma data de nascimento (3 de julho de 1929), junto das palavras hebraicas “Mazal Tov” e da cidade, “Frankfurt A.M” (A.M significa “am Main”, uma referência ao rio Main).

 

Usando informações de um banco de dados existente, os pesquisadores conseguiram ligar o pingente a uma menina chamada Karoline Cohn, nascida em Frankfurt no dia 3 de julho de 1929 e deportada de Frankfurt em 11 de novembro de 1941, quando tinha apenas 12 anos. A família Cohn foi enviada para o gueto de Minsk. Alguns registros sugerem que Karoline tenha morrido em Minsk, afirma Haimi. A descoberta do pingente indica que ela poderia estar entre os 2 mil judeus que foram enviados a Sobibor para serem mortos depois que o gueto e Minsk foi liquidado, em outubro de 1943. Se Karoline já estava morta naquela época, talvez sua mãe ou outro familiar tenha levado o pingente para o campo de concentração.

Anne Frank, uma das mais famosas vítimas do holocausto, também nasceu em Frankfurt, em junho de 1929 (dia 12) e teve o mesmo tipo de pingente.

“É exaramente o mesmo, mas apenas com a data de nascimento diferente”, disse Haimi. “Uma das possibilidades é que talvez Cohn e Frank fossem parentes.”

Haime afirma que os pesquisadores ainda estão investigando se há alguma conexão entre ambas. Segundo ele, há um ramo de Cohn na árvore genealógica dos Frank, mas não parece ser a mesma família de Karoline.

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