Área de gelo maior que a Índia desapareceu da costa do Ártico e da Antártida

As costas marítimas da Antártida e do Ártico atingiram recordes negativos de gelo em novembro, e agora os cientistas relatam que foram perdidos 3,76 milhões de quilômetros quadrados de gelo – uma área total maior que a da Índia.

Tão surpreendente quanto isto é o fato de que no mês passado, o Ártico esteve 20 graus mais quente do que deveria, e 2016 está prestes a ser o ano mais quente já registrado.

“Há algumas coisas realmente estranhas acontecendo”, disse Mark Serreze, diretor do US National Snow and Ice Data Centre (NSIDC) para a Reuters.

Serreze e sua equipe relataram que em novembro de 2016, o gelo marinho do Ártico tinha em média 9,08 milhões de quilômetros quadrados – o menor para o mês de novembro já registrado. Isto significa 800 mil quilômetros a menos do que novembro de 2006, que detinha o recorde de nível mais baixo até então.

É também 1,95 milhões de quilômetros quadrados (aproximadamente a área do México) abaixo da média de 1981 a 2010 para o mês de novembro.

Extensão média de gelo marinho do Ártico em novembro, entre 1978 e 2016.

A Antártida, que até agora parecia mais resistente às mudanças climáticas do que o Ártico, também começou a perder gelo rapidamente em novembro, e teve uma baixa recorde para o mês.

O NSIDC relata que o ciclo do gelo marinho da Antártida atingiu o seu máximo em 31 de agosto – mais cedo do que o esperado – e tem diminuindo rapidamente. Atualmente, ele está 1 milhão de quilômetros quadrados (o equivalente ao Egito) menor do que o recorde de baixa anterior, em 1986.

Extensão média de gelo marinho da Antártida em novembro, entre 1978 e 2016.

Além disso, o gelo está 1,81 milhões de quilômetros quadrados (quase a área do Sudão) abaixo da média do período de 1981-2010, o que eleva a área perdida nos dois pólos para 3,76 milhões de quilômetros quadrados.

O desaparecimento quase sem precedentes vem em um momento no qual o gelo do Ártico deveria estar recuperando suas perdas do verão anterior. Porém, com as temperaturas anormalmente elevadas, não há chance de recuperação.

“Parece uma tripla ameaça – um oceano morno, uma atmosfera quente e um padrão de verão funcionando contra o gelo no Ártico”, declarou Serreze.

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