A verdadeira história de Bathsheba Sherman – o demônio de ‘Invocação do Mal’

Se você é da turma que adora filmes de terror, se já assistiu às obras do universo ‘Invocação do Mal’, provavelmente vai se lembrar do demônio Bathsheba Sherman. Talvez o que você não saiba é que, na verdade, ele não é um personagem totalmente fictício, e não saiu da mente do diretor dos filmes. Muitas pessoas acreditam que a verdadeira Bathsheba Sherman foi uma bruxa ligada ao satanismo, que teve um relacionamento com Mary Eastey, uma mulher que foi enforcada durante os julgamentos de Salem.

Mas falando apenas daquilo que é estritamente comprovado por registros históricos, Bathsheba Thayer nasceu em 1812 em Rhode Island, nos Estados Unidos. Seu sobrenome, ‘Sherman’, veio do seu casamento com um fazendeiro da região, Judson Sherman, em Connecticut. Supostamente, Bathsheba e Judson tiveram um filho, Herbert. A partir daí, os registros históricos começam a se misturar com as lendas e histórias paranormais. Segundo uma das lendas mais famosas, Bathsheba foi pega assassinando o próprio filho com uma agulha de costura, como um sacrifício a Satanás. Depois disso, ela teria amaldiçoado a todos que ousassem viver em suas terras, subido em uma árvore e se enforcado.

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Grande parte daquilo que se sabe sobre a história real desta personagem obscura vem dos relatos dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren. De acordo com a obra dos dois, Bathsheba Sherman prometeu assombrar a vida de qualquer um que vivesse nas terras onde a sua casa ficava. E ao que tudo indica, pelo menos para quem acredita em forças sobrenaturais, isso realmente aconteceu.

Ed e Lorraine Warren foram contratados pela família Perron, que se mudou para a propriedade onde antes vivia Bathsheba, em 1971. As queixas, na época, eram de que os utensílios domésticos estavam desaparecendo, e que os filhos da família estavam sendo visitados todas as noites por espíritos malignos, normalmente na forma de uma mulher. A filha mais velha da família, Andrea Perron, teve sua infância narrada nos filmes de ‘Invocação do Mal’, e muito daquilo que aparece no filme é, na verdade, uma dramatização do que ela diz ter enfrentado na sua juventude. Alguns céticos, é claro, dizem que Ed e Lorraine Warren são aproveitadores, que enganam as pessoas com suas supostas habilidades para lidar com o sobrenatural. Entretanto, Perron nunca desmentiu sua história.

A verdadeira história da bruxa de ‘Invocação do Mal’.

Voltando aos dados estritamente comprovados, Bathsheba teve uma infância razoavelmente feliz para uma garota daquela época. Ela supostamente era detentora de uma beleza invejável, e se casou aos 32 anos de idade, em 1844. Seu marido era dono de uma empresa do ramo agrícola, e tinha uma fazenda com mais de 200 acres em Harrisville, Rhode Island. Mas a partir daí a sua vida começou a tomar um caminho macabro.

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Bathsheba estava tomando conta do filho de um vizinho quando o menino morreu de forma “misteriosa”. Segundo os médicos que atenderam a criança, ela teve o crânio atravessado por uma ferramenta que era utilizada na fazenda. A comunidade local se voltou contra a mulher, acreditando que ela teria culpa na morte do garoto. No entanto, ela nunca foi a tribunal.

Mas sem sombra de dúvidas o que mais chamou atenção negativamente foi o episódio em que, segundo a lenda, a mulher foi flagrada por seu marido assassinando o próprio filho com uma agulha de costura. O homem afirmou, na época, ter ouvido a mulher jurando lealdade ao Diabo, logo antes de subir em uma árvore e se enforcar. Algumas fontes dizem que Bathsheba teria tido outros filhos, que supostamente nunca teriam passado dos sete anos de idade. No entanto, não há nenhum registro oficial nos Estados Unidos para outros filhos da mulher além de Herbert. Judson Sherman, seu marido, faleceu em 1881.

A família Perron

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Roger Perron, que adquiriu, em 1970, a casa que no passado pertenceu a Bathsheba, viu com muito bons olhos a aquisição naquela época. Com dificuldades financeiras, o motorista de caminhão viu na nova residência um bom recomeço para a sua família, que no início até se deu bem com a mudança. Mas as coisas tomaram outro rumo a partir do momento em que ruídos estranhos começaram a ser escutados na casa, além do desaparecimento de utensílios domésticos. Pouco tempo depois, as crianças também começaram a falar que ouviam espíritos falando durante a noite. De acordo com Andrea Perron, filha mais velha da família, seu pai não levou o assunto muito a sério no começo… Até que as coisas começaram a acontecer também com ele.

De acordo com os relatos, Andrea era atormentada todas as noites por um espírito feminino que tinha o pescoço torto. Segundo a mulher, a criatura aparentava ter sido enforcada. “Quem quer que fosse o espírito, ela se via como a dona da casa e se ressentia da competição que minha mãe representava para essa posição”, disse Andrea Perron em determinada entrevista sobre o assunto.

Pouco tempo depois dos primeiros episódios sobrenaturais, a família foi informada por um historiador local que a casa havia pertencido à mesma família durante oito séculos. E o mais estranho de tudo é que quase todos que viveram lá acabaram morrendo de forma brutal: afogamento, enforcamento, assassinato e etc. Depois de ficar sabendo disso, a família decidiu contatar Ed e Lorraine Warren, que conduziram uma sessão na casa. E como o filme dramatiza, a mãe da família, Carolyn Perron supostamente foi possuída durante a sessão, o que quase levou à sua morte. De acordo com Andrea Perron, o corpo de sua mãe se contorceu de forma assustadora, e seus gritos, em determinado momento, fizeram Andrea acreditar que ela iria morrer. Ela alega que sua mãe permaneceu possuída por vários minutos, e se bateu várias vezes contra as paredes e contra o chão. “Minha mãe começou a falar uma língua que não era desse mundo, com uma voz que não era a dela. A cadeira dela levitou e ela foi jogada para o outro lado da sala”, relatou a mulher.

Depois do ocorrido, Ed e Lorraine Warren foram expulsos da casa pelo pai da família, tendo voltado apenas em uma ocasião para verificar se estava tudo bem com Carolyn. A família permaneceu morando na residência até 1980 por motivos financeiros. Andrea Perron afirma que os filmes de ‘Invocação do Mal’ tomam algumas liberdades na história, acrescentando cenas sangrentas e sessões de exorcismo dramatizadas.

No fim das contas, a história de Bathsheba Sherman mistura fatos históricos com lendas e contos sobrenaturais. E a série de filmes de terror, é claro, acrescenta uma boa pitada de dramatização neste contexto. Mas o que realmente aconteceu na casa dos Perron ainda é um grande mistério.


Com informações de ‘All That’s Interesting’.

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