A trágica e inspiradora vida da lendária pintora mexicana Frida Kahlo

Você certamente já ouviu falar de Frida Kahlo, a pintora mexicana extremamente famosa que hoje é um símbolo da resistência e da força feminina. Algumas pessoas, no entanto, apesar de admirarem o trabalho de Frida e tudo o que ela representa, não conhecem exatamente o calvário da vida da artista, que desde sempre foi marcada pelo sofrimento, pelas decepções e pela vontade de seguir adiante.

Frida Kahlo nasceu em 6 de julho de 1907, filha de um fotógrafo de origem alemã e de mãe com origens ameríndias e espanholas. Sua família, que vivia na Cidade do México, era bastante pobre, mas este não foi o maior desafio que Frida precisou enfrentar durante a sua infância. Aos seis anos, ela contraiu uma doença chamada poliomielite, que causa danos sérios à medula espinhal. Por conta da enfermidade, ela precisou ficar deitada em uma cama por nove meses.

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Passando quase um ano deitada, Frida desenvolveu problemas de desenvolvimento físico, o que provocou o crescimento desproporcional de seus membros, e obrigou a garota a mancar durante a infância. De todas as formas possíveis ela tentava esconder esta característica das demais crianças e pessoas com quem convivia fora da sua família. No entanto, isso não evitou que desde cedo, além da doença, ela precisasse enfrentar enfrentar a tortura do bullying. Por isso, durante infância seus amigos eram principalmente outras crianças que também eram afastadas do amplo convívio social por algum tipo de “anormalidade”. Um de seus amigos, por exemplo, era excluído por ser considerado “estranho” e morar em um cemitério.

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Todas essas dificuldades enfrentadas ainda em idade muito jovem, entretanto, não impediram que Kahlo chamasse atenção por sua perseverança desde cedo. Com o apoio de seu pai, a garota driblava suas limitações físicas e chegou a praticar uma série de esportes, como futebol, natação e até mesmo alguns tipos de luta, o que à época era um esporte ainda mais “masculino” do que nos dias de hoje.

Frida Kahlo ficaria conhecida internacionalmente, no entanto, por conta da pintura. Acompanhando o trabalho de seu pai com a fotografia, ela aprendeu os primeiros conceitos sobre a arte e o detalhismo, e posteriormente utilizou tudo o que havia aprendido para criar um estilo bastante peculiar, original e próprio, onde depositou generosas doses de emoção e de nuances de sua dolorosa vida pessoal.

O acidente

A vida de Kahlo, se já não fosse extremamente tortuosa até então, acabou mudando completamente a partir de um acidente rodoviário. Em setembro de 1925, quando ela tinha 18 anos, ela se envolveu em um acidente de ônibus junto com o seu amigo Alejandro Gomez. O ônibus onde ambos estavam se chocou contra um bonde, fazendo com que Frida sofresse seríssimos ferimentos pelo corpo. Ela teve ossos fraturados nas costelas e na pélvis, o que fez com que ela voltasse a viver em cima de uma cama por anos.

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Kahlo, que já havia resistido de forma esplendorosa a tantas dificuldades impostas pela vida, usou o acidente também como uma espécie de motor para investir em sua carreira artística. Com uma tela improvisada pela sua família, que lhe permitia pintar enquanto deitada, ela desenvolveu uma série de obras de artes que acabaram por entrar para a história.

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Casamento

Frida Kahlo casou-se em 1929 com Diego Rivera, um artista também mexicano conhecido por suas grandes pinturas em muros. Ativista contra o capitalismo, Rivera não era grande apreciador da arte feita em quadros, já que acreditava que estas pinturas acabavam por ficar enclausuradas em grandes mansões, nas mãos justamente daqueles que supostamente mais se beneficiavam de um sistema capitalista com o qual ele não concordava.

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Em suas obras, normalmente pintadas em público, para que pudessem ser apreciadas pelo maior número de pessoas possível, Diego retratava o poder do povo mexicano, em especial no período pré-colombiano, seus heróis e suas histórias de resistência.

Rivera, apesar de compartilhar as aspirações artísticas com sua esposa, não foi um bom marido, principalmente por conta de seus múltiplos casos de infidelidade. Kahlo sabia que seu marido não era fiel, e constantemente a traía, inclusive com sua irmã, Cristina. Mas ela não deixava por menos.

Kahlo alegadamente era bissexual, e seu marido não via problema em saber que ela se relacionava com outras mulheres durante seu casamento. Ele não aceitava, no entanto, que ela tivesse amantes homens.

Mesmo assim, o “troco” triunfal veio quando Kahlo e Diego ofereceram asilo ao comunista Leon Trotsky, à época na faixa dos 60 anos de idade. Frida, ainda na casa dos seus 30 anos, tinha à sua disposição amantes muito mais atraentes que Trotsky, obviamente, mas foi impulsionada pela vontade de vingar-se da infidelidade de seu marido, que inclusive havia dormido com sua irmã. Ironicamente, no final das contas, Diego Rivera viu sua esposa vingar-se justamente com um de seus maiores ídolos.

Cansada de todas as infidelidades praticadas pelo marido, Frida Kahlo decidiu divorciar-se de Diego, ainda que mantivessem contatos profissionais ocasionalmente se encontrassem.

Desenvolveu mais uma série de pinturas incríveis durante o resto de sua vida, mas fora acometido por um sério problema de saúde em 1940, que fez com que ela novamente precisasse ser internada em um hospital. Ainda quando estava sob cuidados médicos, Diego pediu sua mão em casamento novamente, e ela aceitou.

Sua saúde, entretanto, não melhoraria nunca mais.

Em meados de 1950, ela precisou ter uma perna amputada por conta de uma gangrena, o que a forçou inclusive a participar de uma exibição artística deitada em uma cama. Poucos anos depois, em 1954, ela acabou falecendo por conta de uma pneumonia.

Um dos tantos auto-retratos famosos de Frida Kahlo. / Wikiart

Sua história, no entanto, segue sendo contada novamente todos os dias por seu incrível legado artístico, que inspira e lembra ao mundo inteiro que as mulheres possuem a força necessária para fazer absolutamente tudo o que quiserem.

Última obra de Frida Kahlo, intitulada ‘Viva la Vida’, 1954. / Wikiart
Obra ‘Henry Ford Hospital’, onde Frida Kahlo aborda suas trágicas gestações que infelizmente acabaram em abortos, por conta de seus problemas de saúde. 1932 / Wikiart
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