A terrível e misteriosa “Epidemia do Suor”, que matou 2 milhões na Inglaterra

Ao longo de toda a história, doenças mortais e desconhecidas se espalharam por todo o mundo, levando o terror e a morte por onde passaram. Em meados de 1480, em um período historicamente próximo ao fim da Peste Bubônica, a Europa passou a enfrentar um novo problema, que recebeu o nome de “Doença do Suor”.

Silenciosa e tão mortal quanto misteriosa, a doença em questão se alastrou pelo continente europeu durante 70 anos, divida em vários surtos. Os primeiros casos surgiram em 1485, na cidade de Londres, um pouco depois do rei Henrique VII voltar do campo de batalha. Estima-se que naquela época 15 mil moradores de Londres tenham morrido de forma misteriosa por conta desta doença, para alguns historiadores mais assustadora do que a própria Peste Bubônica (famosa por dizimar 60% da população europeia).

Os sintomas partiam desde uma febre fortíssima, até dores em todo o corpo. Os afetados também podiam apresentar tontura, vômito, falta de ar e taquicardias. O sintoma mais característica, entretanto, que inclusive serviu para nomear a condição, era o suor em excesso, que fazia com que os pacientes literalmente encharcassem a cama pouco antes do quadro se tornar fatal.

De acordo com alguns historiadores, a chamada ‘Doença do Suor’ pode ter tido suas origens na França, e a sua chegada na Inglaterra é atribuída por alguns fontes aos mercenários franceses que foram contratados por Henrique VII para sua campanha em busca do trono da Inglaterra.

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A partir do ano 1500, novas ondas da doença, ainda mais fortes, voltaram a ocorrer, e em 1528 estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham sido vitimadas em apenas um mês, espalhando um terror descomunal por Londres. Terror tamanho que o próprio rei, Henrique VIII, passou a dormir cada dia em uma cama diferente, temendo que de alguma forma a cama onde ele dormia podia lhe fazer contrair a doença. Ao todo, somando mais de cinco surtos entre 1485 e 1551, o número de vítimas ultrapassou a marca de 3 milhões na Inglaterra.

A doença, que posteriormente recebeu o nome científico de “Sudor anglicus” (algo como ‘suor inglês) foi amplamente estudada pelos cientistas John Caius, Euricius Cordus e Polidoro Virgílio. Praticamente tudo o que se sabe sobre ela, hoje em dia, vem de seus escritos. Entretanto, ao contrário de outras pestes e enfermidades que se espalharam há séculos na Europa, pouco se sabe com exatidão sobre as origens e causas desta condição específica. A tese mais aceita, no entanto, é que a doença do suor tinha algum tipo de vetor semelhante ao da peste, da leptospirose e o tifo: os roedores da família Muridae. Mas existem outras características que intrigam os cientistas até o dia de hoje. De acordo com os relatos médicos da época, os casos eram numerosos em regiões de aglomeração e grandes centros urbanos. Isso leva a crer que, talvez, a doença fosse transmissível entre seres humanos.

Outras teorias acabaram por surgir com o tempo. Alguns teóricos sugerem que a doença do suor pode ter sido uma precursora do HPS (sigla em inglês para síndrome pulmonar por hantavírus), que é causada por roedores selvagens e pela saliva humana. De qualquer forma, até os dias de hoje, esta continua sendo uma das doenças mais misteriosas do mundo. [Britannica]

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