A história de Giulia Tofana, a envenenadora profissional do século 17 que matou mais de 600 homens

Quando ouvimos falar de histórias de serial killers, imaginamos personagens similares aos de filmes famosos como Ted Bundy, o maníaco de Psicose ou até mesmo o lendário Hannibal Lecter. Mas você sabia que na história uma mulher está entre uma das mais prolíficas serial killers? Sim, é verdade, e o nome desta pessoa é Giulia Tofana. Sua arma principal? Veneno.

Remontamos ao século XVII, em Roma, na Itália, uma época em que mulheres eram leiloadas como objetos a maridos indiferentes e muitas vezes abusivos. Essas mulheres não possuíam qualquer poder financeiro ou social, de modo que só haviam três opções a seu alcance: casar-se, continuar solteira e sustentar-se como profissional do sexo ou, com “sorte” tornar-se uma respeitada e autônoma viúva (o que faria com que tivessem que escolher a primeira opção de se casarem antes de tudo, é claro).

Para muitas mulheres, ser viúva era a mais atraente. Para a “sorte” delas, a Roma do século 17 possuía um abrangente mundo escondido por trás dos véus do crime, que providenciava serviços para tornar essa realidade acessível às mulheres.

Wikimedia Commons

Essa comunidade subterrânea foi encontrada em outras grandes cidades europeias e era composta de alquimistas, farmacêuticos e especialistas em “magia negra”. Na realidade, esses especialistas não se interessavam pelas artes das trevas em si, mas resolviam questões que médicos ou padres da época eram proibidos, como fazer abortos, a título de exemplo.

Compreendendo a realidade dessas mulheres, Giulia Tofana vendia sua famosa mistura letal para esposas que queriam matar seus maridos. Curiosamente, Giulia também era e seguiu os passos de sua mãe – com quem aprendeu a arte de envenenar – e talvez até mesmo usou sua receita.

Com a ajuda da filha e de um grupo de mulheres de confiança, Tofana ganhou reputação como amiga de mulheres com esta problemática chamada “marido”. Seu grupo de envenenadoras também pode ter recrutado um padre romano local – o padre Girolamo – para participar secretamente de sua rede criminosa, mas, não se sabe exatamente se esta informação é verídica.

No entanto, acredita-se amplamente que o padre Girolamo fornecia o arsênico para o veneno, com Tofana e suas colegas o disfarçando como cosmético para suas clientes. Se alguma mulher viesse perguntar sobre o tal do produto de Tofana, tudo o que ela precisava fazer era apresentar suas garrafas de “Aqua Tofana”, um creme de rosto ou óleo cobiçado por mulheres – para tornar suas clientes viúvas em pouco tempo.

Sua arma letal: Aqua Tofana

Giulia Tofana disfarçava seu veneno como cosmético, colocando-o em uma pequena garrafa de vidro com uma imagem de São Nicolau na frente. Wikimedia Commons

Guilia Tofana disfarçava seu veneno para que ele pudesse se misturar facilmente ao kit de cuidado das mulheres, como maquiagem, loções e perfumes. Embora fosse conhecida por seus clientes como Aqua Tofana, a própria garrafa de vidro era rotulada como “Maná de São Nicolau de Bari”, um óleo popular de cura para manchas da época.

Apesar de sua sutileza, a Aqua Tofana era poderosamente letal. A mistura incolor e sem gosto era capaz de matar um homem com apenas quatro a seis gotas. Mas a genialidade por trás do veneno era o quão indetectável era mesmo após a morte. O veneno matava aos poucos durante dias, imitando uma doença.

Administradas através de algum tipo de líquido, as primeiras doses induziam fraqueza e exaustão. A segunda dose causava sintomas como dores de estômago, sede extrema, vômitos e disenteria. Sua morte gradual daria à vítima a chance de organizar seus negócios, o que geralmente significava garantir que sua futura viúva fosse bem cuidada após sua morte.

Finalmente, com uma terceira ou quarta dose administrada nos próximos dias, o homem morreria.

O fim do reinado de terror de Giulia Tofana

Campo de Fiori, em Roma, onde Giulia Tofana, sua filha e três de suas ajudantes foram executadas. Wikimedia Commons

Os negócios de Tofana enganaram as autoridades com sucesso durante décadas em toda a Itália no século XVII. Tofana poderia até mesmo nunca ter sido descoberta, se não fosse por uma tigela de sopa.

Segundo a história, em 1650, uma mulher serviu ao marido uma tigela de sopa com uma gota de Aqua Tofana. Antes que o marido tomasse, no entanto, a mulher mudou de ideia e implorou para que ele não ingerisse a sopa.

Isso levantou as suspeitas do homem, o que o levou a abusar sua esposa até que confessasse ter envenenado a comida. Ele imediatamente entregou a mulher às autoridades, sendo torturada até admitir que havia comprado Aqua Tofana de Giulia Tofana.

Com as autoridades procurando por ela, Tofana escapou para uma igreja local onde recebeu abrigo. Isso até um boato ter se espalhado de que ela havia usado Aqua Tofana para envenenar o abastecimento de água local. A igreja foi rapidamente invadida e Tofana foi presa.

Após seria sido brutalmente torturada, Giulia Tofana confessou ter matado cerca de 600 homens com o uso e a venda de seu veneno somente entre os anos de 1633 e 1651, fazendo dela a mente por trás de uma das tramas de assassinato mais notórias da história.

Então, como a lenda conclui, Tofana foi executada em Campo de Fiori, em Roma, em 1659, ao lado de sua filha e três de suas ajudantes. Além disso, mais de 40 das clientes de classe baixa de Tofana também foram executadas, enquanto as mulheres da classe alta foram presas ou escaparam do castigo, insistindo que nunca souberam de que seus “cosméticos” eram realmente venenosos.

Alguns relatos, no entanto, afirmam que o reinado de terror de Tofana durou muito mais tempo do que isso, afirmando que ela na verdade foi capturada, torturada e executada em 1709.

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1 comentário
  1. Yozy Diz

    Nada mudou nas mulheres.

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