“A Cacofonia do Inferno”: A história do massacre dos crocodilos da Ilha Ramree

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Era 1945. Naquele ano, a região onde hoje fica o Myanmar, país asiático, era conhecida como Birmânia, e este foi o palco dos acontecimentos estranhos sobre os quais vamos falar.

Entre os dias 14 de janeiro e 22 de fevereiro, o Exército do Reino Unido, com a ajuda da Índia, que ainda pertencia aos britânicos, entrou em conflito com os japoneses pelo domínio da Ilha Ramree, ao norte da cidade de Rangoon, na então Birmânia.

E aí vai um pouco de contexto histórico. A Ilha de Rangoon era considerada de certa forma estratégica dentro da dinâmica da Segunda Guerra Mundial, e os britânicos pretendiam estabelecer bases aéreas na região. O problema é que os japoneses, que faziam parte do Eixo, haviam dominado a ilha ainda em 1942. Por isso, as tropas do Japão precisavam primeiro ser expulsas da região antes que os britânicos pudessem fazer qualquer coisa.

E foi dentro dessa perspectiva que os ataques de 1945 à Ilha de Ramree foram ordenados pelos líderes do Reino Unido, que contavam com o apoio de soldados indianos. A batalha, como não poderia ser diferente, foi super violenta e derramou tanto sangue quanto outros conflitos dramáticos da Segunda Guerra. Mas as coisas não pararam por aí.

As investidas britânicas encontraram grande resistência por parte dos soldados asiáticos que ocupavam a ilha, mas eventualmente as tropas aliadas conseguiram expulsar os mais de mil japoneses que defendiam o território.

Assustados com a derrota que se aproximava, os japoneses decidiram arriscar suas próprias vidas e desbravar os pântanos selvagens da ilha, tentando fugir da morte e, ao mesmo tempo, buscar uma alternativa à rendição.

O problema é que, ao tentar fugir dos britânicos, eles acabaram encontrando inimigos ainda piores. Durante dias, as tropas do Japão se espalharam pelo pântano de Ramree, tentando encontrar alguma forma de escapar da investida inglesa. Sem suprimentos e perdidos no meio do ambiente hostil e pantanoso, muitos japoneses morreram com doenças tropicais, enquanto outros ficaram desnutridos e morreram também pela desidratação.

Com a derrota praticamente garantida na ilha, e com várias outras batalhas sendo travadas em outros pontos estratégicos, as atenções dos líderes militares japoneses acabaram se voltando para longe de Ramree, abandonando os soldados à própria sorte.

Além da falta de comida e água potável, os soldados derrotados precisaram se virar como conseguiam para evitar os animais peçonhentos que viviam aos montes no pântano da ilha. Mas as cobras, aranhas e mosquitos não eram nada perto dos crocodilos, que viriam a ser o pior inimigo da vida desses soldados.

Os manguezais de Ramree abrigavam quantidades enormes de crocodilos de água salgada, que são os maiores répteis predadores do mundo.

Com mais de 6 metros, essas criaturas são verdadeiras máquinas mortíferas. E ainda que os seres humanos não estejam entre as principais presas desses crocodilos, eles não vão perder a oportunidade de atacar uma pessoa se estiverem com fome.

Atraídos pelo cheiro de sangue e pelo barulho provocado pelastropas, os animais começaram a se aglomerar no pântano, apenas aguardando o momento ideal para fazer o ataque.

Em determinada noite, as tropas britânicas relataram gritos arrepiantes de pânico vindos da escuridão, bem como disparos desesperados. Naquela altura, os ingleses não faziam a menor ideia do que estava acontecendo, mas eles já tinham a certeza de que havia algum tipo de força maligna atacando os orientais.

A cena é digna de filmes de terror, com mais de mil homens presos em meio ao terreno pantanoso, enquanto centenas de crocodilos brigam e se debatem para abater o máximo possível deles.

Os tiros dispersos de fuzil no pântano escuro como breu, os gritos dos homens feridos esmagados nas mandíbulas de enormes répteis, e o som borrado e angustiante de crocodilos fizeram uma cacofonia do inferno que raramente foi ouvida na Terra.

Em poucos minutos, o pântano foi pintado de vermelho, e centenas de corpos já se encontravam caídos na lama, sendo devorados pelos animais famintos.

Mesmo contra todas as expectativas, 480 soldados conseguiram sobreviver para contar a história, mas com certeza os traumas deste episódio pavoroso os acompanharam até o fim de suas vidas.

Na manhã seguinte ao ataque, era possível ver vários urubus e abutres sobrevoando o pântano, tentando se aproveitar daquilo que os crocodilos haviam deixado para trás.

O vídeo de hoje vai ficando por aqui. Conte para gente o que achou nos comentários! Até a próxima!

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