A assustadora história do Hospital Byberry, que parece ter saído de um filme de terror

Mesmo nos dias de hoje, muitas vezes as doenças e condições psiquiátricas infelizmente não são tratadas da foram adequada. Porém, no passado, os pacientes sofriam ainda mais nas mãos de profissionais despreparados e médicos que não faziam a menor ideia do que estavam fazendo. E umas das instituições psiquiátricas mais assustadoras da história é, com certeza, o Hospital Byberry, também conhecido como ‘Hospital do Estado da Filadélfia’, nos Estados Unidos.

Em 1903, este hospital surgiu como uma opção para pacientes “instáveis”, e a sua construção foi bastante comemorada, já que outras instituições já estavam lotadas e com problemas para abrigar tantos pacientes. O prolema é que, eventualmente, o Hospital Byberry cresceu e acabou se tornando um campus com vários setores e especialidades. Não demorou muito para que este hospital também ficasse superlotado e não conseguisse mais encontrar pessoas para trabalhar lá.

Domínio Público

Desesperados, os administradores do hospital passaram a aceitar praticamente qualquer um que quisesse trabalhar. Isso fez com que muitos profissionais sem preparo entrassem para o quadro. Não é nenhum exagero dizer que, talvez, alguns médicos e cuidadores do Hospital Byberry poderiam tranquilamente ter entrado como pacientes.

A falta de mão de obra também fez com que cerca de 3 mil americanos que se recusaram a lutar na guerra fossem ordenados a trabalhar lá. E foi justamente a partir dos relatos destes pacifistas que as histórias dos terrores praticados no Hospital Byberry tornaram-se públicas.

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Por conta da falta de funcionários, a higiene básica dos pacientes e a limpeza do próprio hospital não era uma prioridade. Isso fazia com que muitas pessoas internadas ficassem dias sem tomar banho, rondando pelo local completamente nuas e sujas. As camas também não eram arrumadas com frequência, e o chão muitas vezes chegava a ficar grudento, por causa da urina.

Ainda mais assustador que isso, muitos pacientes eram mantidos com mãos e pernas amarradas nas camas, por períodos que podiam chegar a mais de um ano. Acredita-se que o paciente William Kirsch, que tinha 27 anos na época em que foi internado, tenha passado pelo menos três anos vivendo desta forma no hospital. E não se engane pensando que isso ocorreu há mais de cem anos. Kirsch vivia dessa forma até meados de 1980, quando um advogado conseguiu liberá-lo da instituição psiquiátrica. “Eu espero que o Estado não tenha ferido este pobre homem de forma irreparável”, disse o advogado Stephen Gold na época da sua liberação.

Werner Wolff/The LIFE Images Collection/Getty Images

E dez anos antes do caso de Kirsch, em 1970, pelo menos 57 mortes já haviam sido atribuídas à negligência médica no Hospital Byberry. Isso sem falar, é claro, naquelas que provavelmente não foram registradas e nunca caíram no conhecimento público. Para se ter uma ideia dos problemas do hospital, apesar de alguns pacientes terem sido brutalmente mantidos com mãos e pés amarrados, outros andavam livremente pela instituição, e podiam até mesmo sair do hospital se quisessem. A falta de funcionários impedia uma vigilância adequada, e muitos realmente conseguiram fugir. O problema é que nem sempre isso era melhor para os pacientes. Alguns acabavam cometendo suicídio nos arredores, enquanto outros morriam de frio tentando voltar para o hospital depois de se arrependerem de fugir. Infelizmente, muitos não conseguiam chamar a atenção dos funcionários e morriam na porta.

Caso da toalha molhada

Em 1946, um artigo publicado pelo ‘Philadelphia Record’ relatou um terrível ato de tortura praticado contra um paciente do Hospital Byberry.

“(Um cuidador) molhou uma toalha grande e, depois de torcê-la, ele prendeu a toalha em volta do pescoço de um paciente. O cuidador juntou as pontas e começou a torcer. Primeiro ele apertou a toalha, como uma espécie de laço. Em seguida, ele fez um movimento de giro, lentamente, para que o paciente soubesse o que estava reservado para ele. O paciente implorou por misericórdia, mas a tortura continuou. Os olhos do paciente saltaram, sua língua inchou, e ele começou a ter dificuldade para respirar. Por fim, seu corpo caiu na cama. Seu rosto estava terrivelmente branco e ele não parecia estar respirando. Quinze minutos se passaram antes que ele desse sinais de que estava voltando à vida”, dizia o relato trazido pelo jornal na época.

A tortura, por conta da toalha, não deixou marcas no corpo, e foi escondida das autoridades com muita facilidade. De acordo com funcionários que trabalharam lá, vários outros abusos e crimes semelhantes foram cometidos sem que praticamente ninguém ficasse sabendo. Era comum inclusive, que os médicos e cuidadores usassem armas e até mesmo os próprios punhos para ameaçar e atacar os pacientes que não aceitavam qualquer tipo de ordem.

Outras formas de tortura

Segundo relatos, entre as outras formas de tortura aplicadas no Hospital Byberry estava a privação de remédios básicos, como os analgésicos. Além disso, vários procedimentos, como extrações dentárias, por exemplo, eram realizadas sem anestesia. O psiquiatra Larry Real, que passou por um curto período de treinamento no Hospital Byberry revelou durante uma entrevista que chegou a ver um médico suturando um paciente sem anestesia, dizendo que “pacientes com esquizofrenia não sentem dor”, o que obviamente não faz o menor sentido.

Já outros medicamentos, como a Clorpromazina, por exemplo, eram tidos como “milagrosos” lá dentro, e receitados para vários pacientes, ainda que seus efeitos não fossem 100% garantidos. Muitos pacientes eram convencidos e até mesmo forçados a participar de testes e pesquisas médicas, se sujeitando a tomar medicações sem a devida comprovação científica.

Fechamento do hospital

Os absurdos envolvendo o Hospital Byberry eram relatados desde os anos 40, mas a preocupação dos americanos em relação a essa instituição psiquiátrica aumentou no final de 1980, com o caso de William Kirsch, que citamos anteriormente, e também com novas acusações que surgiram.

A paciente Anna Jennings, que havia sido diagnosticada com esquizofrenia, relatou à sua mãe por meio de cartas que havia sofrido abusos sexuais enquanto criança por parte dos cuidadores da instituição. Esta forte acusação fez com que as autoridades começassem a investigar o hospital. Eventualmente, os investigadores concluíram que não apenas os funcionários tinham o hábito de submeter os pacientes a tratamentos desumanos, como também tinham a cultura de acobertar e esconder estes casos.

Felizmente, em 21 de junho de 1990, o hospital foi devidamente fechado.

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