Adolescentes italianos descobriram uma luxuosa residência romana de 1.800 anos escondida sob o ginásio de sua escola

por Lucas Rabello
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Adolescentes italianos descobriram uma luxuosa residência romana de 1.800 anos escondida sob o ginásio de sua escola

Durante anos, alunos de uma escola de ensino médio em Roma repetiam uma história quase impossível de ignorar: haveria salas misteriosas escondidas sob o piso do ginásio. O prédio fica a poucos passos do Coliseu, em uma das áreas mais carregadas de história da capital italiana. Por muito tempo, parecia apenas mais uma lenda de corredor. Até que alguns estudantes decidiram explorar túneis subterrâneos e encontraram algo que não pertencia ao mundo escolar.

Depois das descobertas feitas pelos alunos, a professora de história e latim Claudia Marino avisou as autoridades arqueológicas de Roma. A investigação oficial começou em janeiro de 2026 e revelou que os corredores escuros e as câmaras pouco iluminadas eram, na verdade, parte de uma luxuosa casa romana do século II.

A escola construída sobre Roma antiga

Decoração em estuque preservada nas abóbadas de uma antiga casa romana.

Decoração em estuque preservada nas abóbadas de uma antiga casa romana.

O Liceo Scientifico Cavour funciona em um edifício que originalmente abrigava uma congregação missionária católica. Quando a sede dos missionários foi construída, no fim do século XIX, escavações iniciais já haviam apontado a existência de parte de uma “domus”, nome dado a grandes residências da Roma Antiga.

A região é especialmente importante porque fica em uma área onde viveram figuras como Cícero, Pompeu e Otaviano, que mais tarde se tornaria o imperador Augusto. O problema é que essa parte de Roma ainda é pouco compreendida pelos arqueólogos, justamente porque há muitas construções modernas sobre as camadas antigas da cidade.

A descoberta foi apresentada ao público em 28 de maio de 2026 por Claudia Marino e pelo arqueólogo Filippo Coarelli, da Universidade de Perugia. A casa encontrada sob o ginásio passou a ser chamada de Domus Liceo Cavour, ou Casa da Escola Cavour.

Afrescos, mosaicos e marcas modernas

As salas preservadas revelaram afrescos figurativos e florais nas paredes, além de decorações em estuque nas abóbadas do teto. Em um dos cômodos, os arqueólogos encontraram um mosaico feito com peças grandes e irregulares, um estilo associado ao gosto das elites romanas daquele período.

Uma inscrição descoberta ainda no século XIX sugere que a propriedade pode ter pertencido a alguém da família Umbrius. Pouco se sabe sobre essa família, mas os Umbrii talvez tenham vindo de Samnium, região do centro-sul da Itália não muito distante de Pompeia.

O local também guarda sinais de visitantes bem mais recentes. Entre os vestígios da villa romana, foram encontrados grafites deixados por estudantes, turistas e exploradores subterrâneos ao longo do século XX.

Até agora, apenas uma parte da Domus Liceo Cavour foi explorada. A estrutura se estende por baixo da escola, e novas escavações podem acontecer no futuro. A ideia é que, um dia, o espaço seja aberto ao público, possivelmente com os próprios alunos atuando como guias.

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