Pai acusado de atirar no suposto estuprador de sua filha de 13 anos tem a acusação de homicídio retirada após um erro da polícia

por Lucas Rabello
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Pai acusado de atirar no suposto estuprador de sua filha de 13 anos tem a acusação de homicídio retirada após um erro da polícia

Um caso que mistura acusação de abuso, morte, falha policial e disputa eleitoral ganhou um novo capítulo nos Estados Unidos. Aaron Spencer, de 37 anos, acusado de matar Michael Fosler, de 67, teve a acusação de homicídio retirada por decisão judicial. O motivo não foi a negação de que o disparo tenha ocorrido, mas a perda de uma possível prova em vídeo que poderia influenciar diretamente o julgamento.

A história começou em julho de 2024, quando Spencer foi informado de que sua filha, de 13 anos, teria sido abusada sexualmente várias vezes por uma pessoa que ela conheceu na casa de amigos da família. O suspeito era Fosler, que acabou preso e indiciado por 43 acusações, incluindo perseguição pela internet e posse de pornografia infantil. Mesmo assim, ele foi solto após pagar fiança de 50 mil dólares.

Meses depois, em outubro de 2024, a situação tomou um rumo fatal. Na noite em que Fosler foi morto, Spencer percebeu que sua filha havia desaparecido de casa e iniciou uma busca. Segundo as informações do caso, ele encontrou o homem dirigindo com a adolescente no banco do passageiro.

A noite do disparo

O pai seria julgado nas próximas semanas (Centro de Detenção do Condado de Lonoke)

O pai seria julgado nas próximas semanas (Centro de Detenção do Condado de Lonoke)

De acordo com a acusação, Spencer teria jogado seu carro contra o veículo de Fosler, fazendo-o sair da estrada. Em seguida, teria atirado contra o homem. Depois disso, retirou a filha do local e a levou para seu próprio carro, colocando-a em segurança. Logo depois, ligou para o serviço de emergência e afirmou que havia atirado no suspeito.

Spencer foi acusado de homicídio em segundo grau e se declarou inocente. Sua defesa sustentou que ele agiu para proteger a filha de um predador. O julgamento estava previsto para acontecer nas semanas seguintes, mas o processo desmoronou antes de chegar ao júri.

O ponto decisivo foi a perda, pelo gabinete do xerife do Condado de Lonoke, de uma possível gravação em vídeo relacionada ao tiroteio. A defesa argumentou que a situação se enquadrava no conceito de “má-fé”, citando falhas como ocultação ou destruição de informações que poderiam beneficiar o réu, descumprimento de regras profissionais, omissões em relatórios e demora em alertar outras partes sobre a destruição de provas.

A decisão do juiz

Michael Fosler (Lonoke County Sheriff's Office)

Michael Fosler (Lonoke County Sheriff’s Office)

O juiz especial Ralph Wilson Jr. decidiu retirar a acusação de homicídio contra Spencer, classificando a medida como um “remédio extraordinário e extremo”. Na decisão, o magistrado afirmou: “No entanto, com base na totalidade das circunstâncias e nos fatos e circunstâncias únicos, específicos e particulares deste caso, o Tribunal entende que a conduta das autoridades policiais foi tão grave que a rejeição deste caso é justificada.”

Com isso, Spencer deixa de enfrentar a acusação de homicídio ligada à morte de Fosler. A decisão, porém, não apaga a complexidade do caso: um pai acusado de matar o homem apontado como abusador da filha, uma investigação marcada por falha grave na preservação de prova e um sistema judicial obrigado a lidar com um cenário incomum.

Enquanto enfrentava o processo, Spencer também entrou na política local. Ele venceu a primária republicana para disputar o cargo de xerife do Condado de Lonoke e deve concorrer contra o vencedor da primária democrata no outono do hemisfério norte.

Em um vídeo de campanha, ele explicou sua candidatura: “Por meio da minha própria luta por justiça, vi em primeira mão as falhas na aplicação da lei e no nosso tribunal de circuito. E me recuso a ficar parado enquanto outros enfrentam essas mesmas falhas.”

Ele continuou: “Esta campanha não é sobre mim. É sobre cada pai, cada vizinho, cada família que merece se sentir segura em casa e segura na comunidade.”

E completou: “É sobre restaurar a confiança, para que os vizinhos saibam que a polícia está ao lado deles e as famílias saibam que não serão deixadas sozinhas em um momento de necessidade.”

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