Especialistas alertam que o próximo El Niño pode ser o mais destrutivo desde a década de 1870

por Lucas Rabello
665 visualizações
nino

Um possível El Niño previsto para 2026 acendeu um alerta entre cientistas e meteorologistas. A preocupação é que o fenômeno possa alcançar uma intensidade rara, com potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais destrutivos desde a década de 1870.

O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico central e oriental ficam mais quentes do que o normal. Essa alteração pode parecer distante para quem vive longe do Pacífico, mas seus efeitos se espalham como peças de dominó pelo clima global. O aquecimento muda padrões de chuva, interfere nos ventos, desloca frentes frias e pode favorecer secas intensas em algumas regiões e enchentes severas em outras.

O alerta ganhou força após análises indicarem uma possível intensificação rápida do fenômeno. Segundo uma reportagem do The Washington Post, modelos climáticos sugerem que o próximo El Niño poderia atingir um patamar comparável aos maiores eventos já registrados.

O que os modelos estão indicando

Paul Roundy, professor de ciências atmosféricas da Universidade Estadual de Nova York em Albany, comentou nas redes sociais que a mudança no índice Niño 3.4 do modelo europeu ECMWF entrou em “território recorde”. Esse índice acompanha a temperatura da superfície do mar em uma área específica do Pacífico equatorial, usada para medir a força do El Niño.

Ele escreveu: “A mudança do ECMWF Niño 3.4 solidamente para território recorde reflete o impulso adicional injetado no oceano ao longo do último mês. O modelo não está simulando bem os sinais subsezonais de estresse do vento, mas, quando esses sinais são integrados ao oceano do modelo, a amplitude aparece. A confiança está claramente aumentando em um possível maior evento de El Niño desde a década de 1870. O próximo evento substancial de vento oeste provavelmente ocorrerá nos últimos 10 dias de maio.”

Na prática, ventos vindos de oeste podem empurrar águas quentes pelo Pacífico equatorial, ajudando a fortalecer o El Niño. Quando esse processo ganha força, o oceano e a atmosfera passam a trabalhar juntos, ampliando os efeitos climáticos.

Impactos além da previsão do tempo

A cientista climática Katharine Hayhoe afirmou ao The Washington Post que os padrões de El Niño estão associados a escassez de alimentos, impactos no abastecimento de água e até conflitos civis em países tropicais.

Ela disse: “Os padrões de El Niño estão correlacionados com escassez de alimentos, impactos na água e até conflito civil em países tropicais. Então esses padrões naturais de variabilidade, por mais passageiros que sejam, ainda têm um impacto profundo na sociedade humana e no bem-estar humano.”

O alerta não surgiu isolado. Em março, previsões sobre um possível El Niño muito forte já circulavam nas redes. O youtuber David Schlotthauer publicou um vídeo chamando o fenômeno de “Godzilla El Niño”, afirmando que sinais oceânicos e atmosféricos apontavam para um fortalecimento rápido do padrão climático no segundo semestre de 2026.

Na descrição do vídeo, ele escreveu: “Um El Niño forte pode remodelar drasticamente a corrente de jato, aumentar a atividade de tempestades em partes do sul dos Estados Unidos e alterar padrões climáticos globais por meses.”

Nas redes sociais, usuários também passaram a comentar mudanças recentes na temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial. Um deles afirmou que as temperaturas haviam subido mais de 2 °C em alguns pontos, especialmente na parte leste da região. Outro resumiu a sensação geral diante do alerta: “A mãe natureza nos lembrando quem tem todas as cartas.”

Veja também: