Simulação chocante mostra o que acontece com seu corpo durante um jejum de 24 horas

por Lucas Rabello
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Você já se perguntou o que acontece dentro do seu corpo ao passar um dia inteiro sem comer? Um jejum de 24 horas ativa diversos processos metabólicos e celulares que refletem a capacidade adaptativa do corpo humano frente à ausência de alimento, algo que fez parte da vida de nossos ancestrais ao longo da evolução.

Embora o jejum intermitente tenha ganhado popularidade como estratégia de perda de peso, a habilidade de permanecer períodos sem comer está profundamente enraizada na fisiologia humana. Em contraste com o padrão alimentar moderno — onde, segundo a pesquisadora Dra. Vicki Catenacci, da Universidade do Colorado, a média das pessoas come ao longo de cerca de 14 horas por dia — nossos antepassados enfrentavam longos intervalos sem acesso a alimentos.

Essa realidade moldou mecanismos que permitem ao corpo buscar energia de diferentes fontes e ajustar seu funcionamento conforme a disponibilidade de nutrientes.

Mas o que acontece, passo a passo, durante 24 horas de jejum?

Primeiras 4 horas: Após a digestão da última refeição, os níveis de insulina começam a cair. O corpo usa a glicose ainda presente no sangue como fonte primária de energia.

8 horas sem comer: Com a glicose circulante diminuindo, o corpo passa a usar o glicogênio armazenado no fígado e nos músculos, quebrando-o novamente em glicose para manter as funções vitais.

Por volta das 12 horas: Os estoques de glicogênio começam a se esgotar. O organismo inicia uma transição para um estado chamado cetose leve, produzindo corpos cetônicos a partir da gordura corporal. Eles se tornam uma fonte alternativa de energia, especialmente para o cérebro. Nessa fase, é comum haver alterações na sensação de fome e nos níveis de energia, que variam de pessoa para pessoa.

Após 16 horas: Começa a aumentar a atividade de um processo celular conhecido como autofagia. Trata-se de um mecanismo pelo qual o corpo identifica e recicla componentes celulares danificados ou disfuncionais. Segundo a Cleveland Clinic, esse processo pode ajudar a remover proteínas alteradas e estruturas celulares envelhecidas. Embora a autofagia comece a se intensificar a partir de 16 horas, seu pico geralmente ocorre entre 24 e 48 horas de jejum, e a intensidade varia entre indivíduos.

Completando 24 horas: A gordura continua sendo a principal fonte de energia por meio da produção de corpos cetônicos. A sensibilidade à insulina tende a melhorar e há indícios de redução de alguns marcadores inflamatórios no corpo, especialmente em pessoas com sobrepeso ou distúrbios metabólicos. No entanto, os efeitos do jejum prolongado podem ser diferentes entre indivíduos e dependem do contexto clínico, histórico alimentar e nível de atividade física.

Essas adaptações mostram como o corpo humano responde à ausência de alimento de forma organizada, ativando vias metabólicas alternativas e mecanismos de reparo celular. Embora promissores, esses efeitos ainda estão sendo amplamente estudados, e o jejum prolongado não é indicado para todos. A orientação de um profissional de saúde é essencial antes de iniciar práticas desse tipo, especialmente para quem tem condições médicas ou faz uso contínuo de medicamentos.

Fundador do portal Mistérios do Mundo (2011). Escritor de ciência, mas cobrindo uma ampla variedade de assuntos. Ganhou o prêmio influenciador digital na categoria curiosidades.
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