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30 milhões de meninas desapareceram na China. E o mistério acaba de ser resolvido

O desequilíbrio de gênero na China já leva muitos anos sendo um tema primordial. No país mais povoado do mundo, estima-se que entre 30 e 60 milhões de meninas desapareceram em consequência da política do filho único. A evidência está no censo de 2010, o qual estimou que haviam 118 homens por cada 100 mulheres nascidas na China, quando a média mundial é de 105 do gênero feminino. Frente a isso surgem as perguntas: o que aconteceu com essas “meninas desaparecidas”?

Entretanto, um estudo assegura que as cifras são exageradas.

“As pessoas acreditam que 30 milhões de meninas desapareceram da população. Isso equivale à população da Califórnia, e acreditam que simplesmente viraram fumaça”. – John Kennedy, professor adjunto de ciências políticas da Universidade de Kansas e autor do estudo, em comunicado à imprensa.

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Kennedy, junto a Shi Yaojiang, da universidade Shaanxi Normal, começaram a investigar o fenômeno das “meninas desaparecidas” nos anos 90, quando conheceram a um granjeiro do gigante asiático.

Um homem apresentou seu filho mais novo e a filha mais velha por seus nomes, mas a menina do meio a chamou de “a que não existe”. Na China, era permitido ter mais de um filho se o mais velho fosse mulher, pelo qual a filha do meio não estava registrada no governo. Nesse momento se perguntaram se não havia mais gente que fazia o mesmo.

Analisaram os Anuários Estatísticos da China e os quatro últimos censos (de 1982 a 2010) e mediante a “extrapolação retrospectiva” compararam o número de crianças nascidas em 1990 versus o de pessoas de 20 anos em 2010.

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Os dados mostram que nossas observações iniciais de meninas não registradas em 1996 e depois do ano 2000 não eram casos isolados, se não que sinalizavam a um fenômeno mais extenso de nascimentos de meninas (e meninos) não declarados em toda a China rural”.

“Os dados do censo mostram um dramático incremento de meninas registradas depois dos dez anos e, em especial, depois dos quinze. Isso sugere que há um grande número de mulheres jovens que não se registram oficialmente até a adolescência”. – Disse o estudo de Kennedy e Yaojiang.

Entre esses 20 anos, os investigadores estimam a “desaparição” de 15 milhões de meninas: 11 milhões não foram registradas e se estima que o resto foi morta (vítimas de infanticídio) ou abortada.

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Por que não se registraram?

Provavelmente, para a época, os funcionários do governo não tinham a capacidade nem a vontade de implementar políticas de planificação familiar. Além disso, era conhecido que as famílias de mais de um filho enfrentavam castigos, o que levou a infanticídios e abortos. Entretanto, as cifras não são conclusivas.

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Além do “descobrimento” das meninas desaparecidas, o estudo revela a tendência chinesa de favorecer o nascimento de meninos. Entretanto, os autores sugerem que isso possa estar mudando.

“Tradicionalmente, as meninas se consideravam como “nascidas na família de outros”. Como resultado, não existe nenhum incentivo social ou econômico para as famílias, especialmente nas zonas rurais, para ter meninas”. – Disse o estudo de Kennedy e Yaojiang.

A pouco tempo, a China anunciou a abolição da política do filho único.

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