As 10 pandemias mais mortais do passado

Se há uma coisa que mais ouvimos falar nos últimos dias é sobre o recente coronavírus, COVID-19, que foi declarado como uma pandemia pela OMS.

Uma pandemia ocorre quando uma doença se transforma em um surto global, o que é algo diferente de um surto, de uma endemia ou de uma epidemia.

Conheça a diferença desses termos em: Como sobreviver aos casos de pandemias.

O que acontece é que este vírus mortal está afetando pessoas em todo o mundo, fazendo com que os países fechem suas fronteiras, pausem suas atividades econômicas de forma que trabalhadores das mais diversas funções devam ficar em casa, a fim de não propiciarem que o vírus se espalhe ainda mais. Em outras palavras, podemos dizer que estamos vivendo em um momento histórico e que certamente essa grande crise será relatada nos livros didáticos das próximas gerações.

Por mais estranho que tudo possa parecer, esta não é a primeira vez que uma pandemia ocorre no mundo e que afeta pessoas em todos os cantos do planeta. Nesta lista, você conhecerá as 10 pandemias mortais do passado:

10 – Peste Antonina (165–180)

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Por incrível que pareça – e apesar de não ouvirmos falar dela – essa foi uma das pandemias mais mortais da história, como também uma das mais antigas.

A Peste Antonina ocorreu em 165-180 e foi capaz de tirar a vida de cerca de cinco milhões de pessoas na Europa.

Sua disseminação se iniciou com os romanos, sendo que fontes antigas concordam que o surto se originou primeiro durante o cerco romano a cidade de Selêucia, durante o inverno de 165–166.

A partir de então, a peste rapidamente se espalhou para a Gália Romana e entre as legiões ao longo do rio Reno, se alastrando por todo o império.

Nas duas décadas seguintes, o Império Romano viu um surto diferente de tudo que eles já haviam experimentado: no auge da disseminação, cerca de 2.000 mortes aconteciam por dia.

Os imperadores Marco Aurélio e Lúcio Vero morreram durante o período e muitos especularam que foram mortos por esta doença. Seus sintomas incluíam febre, erupções cutâneas e diarreia.

9 – Lepra (Idade Média)

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A hanseníase – também conhecida como mal de Hansen – é uma doença bacteriana de desenvolvimento lento, capaz de gerar danos irreversíveis nos nervos, na pele, nos olhos e no trato respiratório do paciente.

Os infectados pela doença podem apresentar problemas de visão e fraqueza muscular, de modo que outros que são infectados passam a nem sentir mais dores por conta dos danos no sistema nervoso. Isso pode resultar na perda parcial das extremidades, como dedos, mãos, pés e até mesmo as pernas e braços.

Infelizmente, essa doença afeta os seres humanos há milhares de anos, porém hoje existem tratamentos reversíveis e quimioterapias associadas com antibióticos.

A Lepra, como era chamada antigamente, já foi uma pandemia na Europa durante a Idade Média e o tratamento de quem sofria pela doença era bem desumano: os indivíduos infectados eram considerados impuros e eles tinham que usar certas roupas ou um sino para que sua chegada fosse sinalizada.

A entrada dos leprosos era proibida em muitos locais e eles eram chamados de “mortos-vivos”. A doença era associada ao pecado e eles eram condenados à morte legalmente pelos líderes cívicos, que confiscavam todos os seus pertences.

Ainda existem cerca de 200.000 casos de hanseníase por ano e o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em número de infectados, apesar da doença poder ser tratada com medicamentos.

Alguns pacientes precisam de tratamento contínuo para complicações como cegueira e paralisia.

8 – Peste Negra (1347–1351)

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Uma das pandemias mais devastadoras da história foi a Grande Peste Bubônica (também conhecida como “Peste Negra”) que ocorreu em meados dos anos 1300.

O surto mortal da peste bubônica começou na China nos anos 1330 e, como o país era um dos países comerciais mais movimentados, a doença rapidamente se espalhou por outros lugares.

Em 1347, a peste chegou à Europa depois que vários navios infectados atracaram em Messina, um porto siciliano, na Itália. Apenas cinco anos depois, a praga havia matado mais de 20 milhões de pessoas na Europa.

Acredita-se que a Peste Negra tenha sido causada por bactérias Yersinia pestis, tendo a doença se espalhado principalmente pela picada de pulgas infectadas ou pela mordida de ratos.

Os sintomas das pessoas acometidas eram febre junto com os bubões (inchaço das glândulas linfáticas), produzindo manchas avermelhadas na pele que ficavam pretas, sendo essa a razão pela qual as pessoas a chamavam de Peste Negra.

7 – Varíola (1520)

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Durante séculos, a varíola foi uma ameaça na Europa, na Ásia e na Arábia: três em cada dez pessoas infectadas morriam de varíola. Os primeiros exploradores europeus trouxeram o vírus para o Novo Mundo onde as pessoas, claramente, não estavam imunes.

No México e nos Estados Unidos as taxas de mortalidade eram ainda maiores e passou a se tornar uma grande pandemia que, em 1520, devastou o Império Asteca.

Na América do Norte e do Sul, a varíola levou aproximadamente 100 anos para destruir cerca de 90% dos povos indígenas. No México, a população caiu de um milhão para 11 milhões antes da conquista europeia. Por fim, o vírus mortal ajudou os espanhóis a conquistar os astecas e incas, já que sua população estava muito enfraquecida.

Séculos depois, a varíola foi a primeira epidemia de vírus interrompida pelo surgimento de uma vacina. Em 1980, a Organização Mundial da Saúde declarou que a varíola havia sido erradicada em todo o mundo.

6 – A Grande Praga de Londres (1665-1666)

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A Grande Praga de Londres foi uma epidemia que ocorreu na Inglaterra e vitimou entre 75.000 a 100.000 pessoas: isso significa, praticamente, que um quinto da população de Londres na época foi afetada.

Essa doença foi causada pela bactéria Yersinia pestis, a mesma da peste bubônica, porém ocorreu em menor escala do que a anterior “Peste Negra” que atingiu a Europa em meados de 1347. Hoje é ainda chamada de “grande praga” por ter sido uma das últimas a se espalhar pela Europa.

A Grande Praga, ou “Segunda Pandemia de Peste”, de 1665 fez com que os líderes fechassem todo o entretenimento público e isolassem os doentes em suas casas para ajudar a impedir a propagação da doença.

No total, Londres perdeu cerca de 15% de sua população e, embora a cidade tenha registrado aproximadamente 69.000 mortes, acredita-se que o número real seja superior a 100.000.

5 – Terceira Peste Pandêmica (1855-1960)

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A terceira peste pandêmica se iniciou na China, em 1855, durante o reinado da dinastia Qing, pelo imperador Xianfeng, e se trata da própria peste bubônica que acabou viajando pela Índia e Hong Kong, matando pelo menos 12 a 15 milhões de pessoas.

A Índia sofreu com mais de 10 milhões de mortes e este foi o terceiro grande surto de peste bubônica a atingir a sociedade europeia.

 A doença foi inicialmente disseminada por pulgas durante minerações em Yunnan, na China. Essa pandemia só atingiu uma baixa significativa em 1960, quando 200 pessoas morriam por ano. Naquela época, a Organização Mundial da Saúde determinou que a praga não estava mais ativa.

4 – A Terceira Pandemia de Cólera (1852-1860)

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De 1852 a 1860 ocorreu o mais mortal dos sete surtos de cólera: o terceiro grande surto da doença. Assim como as duas primeiras pandemias, a terceira fase se originou na Índia e se espalhou pela Ásia, Europa, América do Norte e África. Em 1854 – o pior ano – a cólera matou 23.000 pessoas na Grã-Bretanha e aproximadamente 10.000 dessas vítimas eram de Londres.

Durante a terceira pandemia de cólera, cerca de um milhão de pessoas morreram e as mortes ocorreram na Rússia, em Chicago, Tóquio, Espanha, Venezuela e até mesmo no Brasil.

Acredita-se que a água contaminada seja a causa da cólera: quem identificou isso foi o médico britânico John Snow, que acompanhou os casos em Londres e identificou a água contaminada como a causa da transmissão da doença. Ele localizou a água na bomba da Broad Street e convenceu as autoridades locais a remover a alça da bomba.

Embora a quantidade de casos locais tenha diminuído drasticamente após suas descobertas, os números continuaram a aumentar em outras áreas do mundo por mais alguns anos.

3 – Gripe Russa (1889-1890)

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A gripe russa, também conhecida como “gripe asiática”, foi uma pandemia mortal de gripe que matou aproximadamente um milhão de pessoas em todo o mundo.

O surto começou a se espalhar em 1889 e foi a maior epidemia de gripe do século XIX, sendo também a primeira epidemia verdadeira que aconteceu na era da bacteriologia. uma ciência responsável por elucidar, estudar, documentar tudo acerca das bactérias.

Os casos iniciais foram relatados em Bukhara na Ásia Central (Turquestão), Athabasca no noroeste do Canadá e na Groenlândia. Dentro de seis meses, a doença já havia infectado as pessoas em São Petersburgo, na Rússia. Apenas quatro meses depois, a gripe se espalhou pelo hemisfério norte.

O rápido crescimento populacional em áreas urbanas em todo o mundo ajudou a criar uma pandemia. Cerca de um a um milhão e meio de pessoas morreram da doença.

2 – Gripe Asiática (1957–1958)

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No século 20, a segunda maior pandemia de gripe foi a gripe asiática de 1957, sendo um surto foi responsável por mais de um milhão de mortes.

No início da pandemia de gripe asiática, o vírus se espalhou por toda a China e regiões vizinhas até que meses depois, a gripe chegou aos Estados Unidos e se espalhou pelo Reino Unido.

Apenas três meses depois de 1958, os Estados Unidos haviam estimado que quase 70.000 mortes estavam ligadas à gripe asiática. Eventualmente, foi desenvolvida uma vacina que ajudou a conter a doença.

1 – Gripe Espanhola (1918–1920)

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A Gripe Espanhola foi a pandemia de gripe mais mortal da história humana e começou em 1918, infectando cerca de um terço da população mundial, ou aproximadamente 500 milhões de pessoas.

Embora as estimativas variem, acredita-se que a gripe espanhola tenha matado cerca de 50 milhões de pessoas, bem mais do que a Primeira Guerra Mundial.

A primeira onda da gripe ocorreu na primavera de 1918 e foi leve. Já a segunda onda foi altamente contagiosa e atingiu o mundo inteiro.

Seu estágio inicial se deu na Europa, Estados Unidos e Ásia antes de se espalhar pelo mundo.

Além do rápido contágio, as vítimas da gripe morriam poucas horas ou dias após o desenvolvimento dos sintomas.

Só para se ter ideia, a expectativa de vida nos EUA diminuiu 12 anos depois que a gripe espanhola assolou a população.

Não só as escolas, como as casas particulares e outros edifícios tornaram-se hospitais improvisados ​​devido à superlotação nas instalações médicas.

As pessoas tiveram de entrar em quarentenas impostas e muitas empresas foram fechadas para diminuir a propagação do vírus mortal.

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