10 fatos curiosos sobre os animais no Antigo Egito que talvez você desconheça

O Egito foi uma das primeiras grandes civilizações que existiu na Terra: seus habitantes viveram no alvorecer da história, em um tempo muito diferente do mundo em que vivemos hoje.

Uma dessas diferenças inclusive, eram seus deuses: os deuses egípcios tinham cabeças de animais. Isso pode parecer um minúsculo detalhe, mas mudou a forma como viviam muitas maneiras que você pode imaginar. Em homenagem aos seus deuses, os egípcios tratavam os animais com uma reverência que não compartilhamos atualmente e isso levou a alguns momentos verdadeiramente bizarros que a história geralmente deixa de lado.

Veja a seguir os 10 fatos curiosos sobre os animais no Antigo Egito que talvez você desconheça:

10 – Eles davam um harém a um touro

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Durante a maior parte da história egípcia, havia sempre um touro sortudo que era tratado como um deus. Eles chamavam este touro de “Apis”, um animal divino na Terra. Eles escolhiam um com o que eles acreditavam ser marcas sagradas, traziam-no para o templo, e davam-lhe um tratamento que os seres humanos só poderiam sonhar.

A vida do touro era incrível: ele recebia um harém de amantes vacas para escolher e vivia em uma dieta de bolos e mel. Os egípcios faziam festas no aniversário do touro e eles o deixava escolher seus oráculos.

As mulheres humanas foram proibidas de tocar o touro sagrado – exceto durante um período de quatro meses, quando seria levado para a cidade Nicópolis. Lá, as mulheres desnudariam seus corpos na frente do animal. Só porque era um touro, para os egípcios não significava que ele não podia apreciar os seios de uma mulher.

Quando o touro morria, recebia o enterro de um rei. Em seguida, um novo touro era escolhido, e toda a rotina começava novamente.

9 – Egípcios criavam hienas como animais domésticos

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Antes de aderirmos aos cães e gatos, a humanidade experimentou domesticar alguns animais estranhos. 5.000 anos atrás os egípcios tentaram domesticar o último dos animais que você esperaria: as hienas.

Baseado nas imagens deixadas nos túmulos dos faraós, as hienas foram usadas como cães de caça em 2800 a.C. Os grandes governantes egípcios caçavam animais com um pacote misto de cães de caça e hienas.

Eles não eram, no entanto, particularmente sentimentais com esses animais de estimação: enquanto as hienas desfrutavam da vida doméstica, seus proprietários as engordavam para o jantar. Uma vez que uma hiena ficasse grande o suficiente, ela era morta, estufada de comida e especiarias e depois frita para ser servida em uma festa.

Hienas não parecem ter durado muito como um “animal de estimação”. Depois de algumas gerações, os egípcios desistiram de manter animais selvagens em torno de suas casas.

Ainda bem, não é mesmo?

8 – O primeiro faraó de um Egito unido morreu por causa de um hipopótamo

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O rei Menes foi o primeiro Faraó a governar tanto o Alto como o Baixo Egito. Ele viveu por volta de 3000 a.C., e foi uma das grandes figuras lendárias da história egípcia. Ele uniu as nações, governou sobre elas durante 60 anos, e depois foi arrastado e morto por um hipopótamo.

Não há realmente outros detalhes sobre essa história: tudo isso foi contado pelo historiador egípcio Manetho, que simplesmente escreveu: “Menes foi o primeiro rei. Ele foi arrebatado e morto por um hipopótamo.” e deixou o relato assim, como se não pudesse imaginar que alguém tivesse perguntas extras, tentando entender exatamente como isso aconteceu.

Uma vez que o evento ocorreu há 5.000 anos, é perfeitamente possível que seja apenas um mito – mas, tudo é ainda mais estranho. Menes era um herói egípcio. Se a história é inventada, então significa que os egípcios viam o ato de ser arrastado e morto por um hipopótamo como um fim digno para um grande rei.

7 – Mangustos eram vistos como animais sagrados

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Para os egípcios, aquelas criaturas peludas que chamamos mangustos estavam entre os mais sagrados de todos os animais. Eles tinham visto mangustos matarem cobras e ficaram impressionados. Fizeram estátuas de bronze em honra aos mangustos e usavam amuletos de mangusto para proteção.

As pessoas também mantiveram mangustos como animais de estimação. Alguns egípcios foram encontrados enterrados com os restos mumificados de seus mangustos de estimação. Eles até mesmo os inseriram em sua mitologia. O deus Ra, de acordo com uma de suas histórias, se transformaria em um mangusto para combater o mal.

6 – A punição por matar um gato era a pena de morte

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No Egito, a punição por  matar um gato era a morte. Isso não era apenas uma lei contra a crueldade para com os animais ou com as matanças sádicas de gato – tudo que você tinha que fazer era acidentalmente atropelar um gato com sua carruagem e você seria morto.

Não havia exceções. Um escritor, Diodorus Siculus, registrou que o rei do Egito pessoalmente interviu para tentar salvar um homem romano que acidentalmente matou um gato. Seu povo, entretanto, não demonstrou piedade, mesmo que isso significasse arriscar uma guerra contra Roma. Eles formaram uma multidão, lincharam-no e deixaram seu cadáver nas ruas.

O amor dos egípcios pelos gatos criaria uma catástrofe quando, em 525 a.C., eles foram invadidos pela Pérsia. Os persas pintaram a imagem de uma deusa gata egípcia em seus escudos e marcharam atrás de uma linha de cães, ovelhas, gatos e, em suas palavras, “quaisquer outros animais que os egípcios amassem”.

Os egípcios tinham tanto medo de machucar acidentalmente os gatos que se renderam para manter os gatos seguros, o que os fez perder a guerra.

5 – Após a morte de um gato, famílias ficavam de luto

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A morte de um gato era considerada uma tragédia. Perder seu gato de estimação era mais ou menos como perder sua própria esposa ou marido. Toda a família entraria em luto, o que, no Egito, significava que tinham que raspar as sobrancelhas.

O corpo do gato morto seria enrolado em finos lençóis e levado para ser embalsamado. Lá, seu pequeno corpo seria tratado com óleo de cedro e especiarias para dar um cheiro doce. Em seguida, seria mumificado e enterrado em uma catacumba, juntamente com um suprimento de leite e ratos para a vida após a morte.

Estas tumbas de gato eram enormes. Em uma delas, foram encontrados 80.000 gatos mortos, cada um cuidadosamente embalsamado e cuidado antes de ser enterrado em seu túmulo.

4 – Eles caçavam com guepardos treinados

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Esses felinos grandes, assim como os leões, podiam ser caçados – mas a definição egípcia de “grande” era um pouco diferente da nossa. Pelas normas egípcias, uma chita – como também é chamado o guepardo –  era considerada um “gato menor” – algo inofensivo o suficiente para manter perto de casa.

Enquanto em geral um lar egípcio provavelmente não manteria uma chita como animal de estimação, alguns dos faraós tinham. Ramsés II, em particular, encheu seu palácio com leões domesticados e chitas. E ele não era o único a manter chitas ao redor: pinturas antigas de tumbas mostram reis egípcios saindo para caça com uma chita domesticada em seu lado.

3 – Eles tinham uma cidade para crocodilos sagrados

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A cidade egípcia de Crocodilopolis era o centro religioso de um culto inteiro dedicado a um deus crocodilo chamado Sobek. Lá, eles mantinham um crocodilo sagrado, que chamaram de Suchus. Pessoas de todo o mundo vinham fazer peregrinações para vê-lo.

O crocodilo era coberto de ouro e jóias e tinha um grupo de sacerdotes ao seu dispor, a qualquer momento. As pessoas traziam presentes comestíveis para o crocodilo e esses sacerdotes abriam a boca do crocodilo para forçá-lo a comer.  Um sacerdote tinha que segurar a boca do crocodilo enquanto o outro servia o vinho.

Quando o crocodilo morreu, recebeu um funeral de herói. Seu corpo foi embrulhado em finas bandagens de linho, mumificado e enterrado nas catacumbas subterrâneas. A partir de então eles escolheram um novo crocodilo para usar jóias e beber vinho e assim perdurou a tradição por um bom tempo.

2 – Eles pensavam que escaravelhos nasciam de forma sobrenatural no esterco

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Você provavelmente já viu fotos de egípcios vestindo aqueles pequenos amuletos de escaravelho, não é mesmo? Todos, dos ricos aos pobres, os usavam e os escaravelhos eram reais. Os egípcios acreditavam que os escaravelhos tinham um poder mágico.

Os besouros gostam de rolar bolas de esterco no chão e enterrá-las em tocas. As fêmeas, em seguida, colocam seus ovos no esterco e seus filhos saem de lá. Acontece que os egípcios viram a maior parte desse processo acontecer, mas perderam a parte dos ovos. Eles deduziram que escaravelhos não tinham mães. Escaravelhos, segundo eles, apenas magicamente emergiam do cocô.

Eles até mesmo acreditavam que o Sol era apenas uma grande versão dessas bolas sendo empurradas por um gigantesco deus de escaravelho.

1 – Dois faraós guerrearam por um hipopótamo doméstico                

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Uma das maiores guerras do Egito foi pelos hipopótamos domésticos dos faraós. O faraó Seqenenre Tao II tinha uma piscina cheia de hipopótamos de estimação, onde ele deixava seus animais se jogarem e brincarem. Ele amava seus hipopótamos e estava disposto a morrer por eles – na verdade, foi exatamente isso que ele fez.

Nessa época, o Egito estava dividido: o reino egípcio mais poderoso era chamado de Hyksos, que era governado pelo Faraó Apopi. Sendo um rei menor, Seqenenre foi obrigado a pagar tributos a Apopi. Ele pode lidar com a humilhação de viver sob a tirania de outro homem – até que Apopi lhe disse para se livrar de seus hipopótamos.

Apopi enviou uma mensagem para Seqenenre dizendo que seus hipopótamos eram tão barulhentos que ele não conseguia dormir. Apopi vivia a 750 quilômetros de distância, por isso ele estava apenas sendo sacana com o homem. Seqenenre, porém, não tolerarava insultos aos seus hipopótamos e para ele esse foi um motivo para declarar guerra.

Seqenenre levou seus militares para uma guerra contra Apopi. Ele até morreu em combate, lutando por seu direito de uma piscina de hipopótamos. E a guerra não terminou aí: seu filho a continuou. Duas gerações de reis lutaram por aquela piscina de hipopótamos – e, com o tempo, eles ganharam. No final da guerra, o Egito havia se unificado mais uma vez, tudo por causa do amor de um homem por seus hipopótamos.

Incrível, não?

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