10 mitos sobre o cotidiano nas cidades medievais que irão te surpreender

Certas ideias e costumes estão tão arraigados em histórias de fantasia de inspiração medieval que é tentador pensar que representam aspectos reais da vida medieval. Mas muitas vezes essas histórias apenas reforçam mitos e equívocos sobre o cotidiano na Idade Média.

De fato, a Idade Média era muito mais rica do que o que aprendemos em histórias repletas de espadas, cajados e magia. A seguir, você verá 10 equívocos sobre o cotidiano nas cidades medievais. Veja só:

10 – Estalajadeiros ricos

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Geralmente pensamos que um estalajadeiro medieval era algum tipo de homem grande e corpulento, com um avental sujo, limpando uma caneca com um pano manchado. Nada nobre, não é mesmo? Bom isso, está bem longe da verdade.

Essa imagem que criamos até poderia se aplicar a administradores de cervejarias informais. Mas o estalajadeiro medieval era muitas vezes um homem ou uma mulher (10% a 20% deles eram mulheres) de riqueza e bom gosto.

Isto porque o viajante médio era um homem rico – um oficial do governo ou comerciante ou talvez um membro prestigiado do clero. Esses tipos de pessoas precisavam de um estábulo para seus cavalos e camas limpas. E melhor de tudo: eles geralmente vinham com uma quantidade razoável de dinheiro.

Com sua posição no centro da sociedade, esses proprietários eram indivíduos de renome e conheciam muita gente. Como tal, muitos proprietários também eram donos de terras ou funcionários eleitos, sendo pessoas muito poderosas!

9 – Refeições rápidas

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Quando pensamos em cozinhas medievais, a última coisa que passa pela nossa cabeça é fast food. Mas para muitos moradores da cidade medieval, curiosamente, essa era a única opção.

As cozinhas exigiam mais espaço nos tempos medievais, pois os fornos eram muito maiores e um risco de incêndio. Portanto, a maioria das pessoas na época optava por não ter um. Era muito mais comum as pessoas levarem seus alimentos não cozidos até a padaria local, onde pagariam uma pequena taxa ao padeiro pelo privilégio de usar o forno.

Com frequência ainda maior, as pessoas medievais se dirigiam às padarias locais e compravam comida pronta para comer a caminho de seus compromissos. Alguma semelhança com nossos dias de hoje?

Bem, alguns empregadores ofereciam aos seus funcionários um período de tempo e um valor para comprar o almoço no meio do dia. Essas lanchonetes costumavam ter seus próprios alojamentos na cidade e frequentemente ficavam abertas depois de escurecer. Assim, mesmo aqueles trabalhadores que trabalhavam o dia todo podiam comer um pouco no caminho de casa.

8 – Alimentos vibrantes

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Costumamos supor que a comida medieval era bem sem graça. Embora seja verdade que os camponeses rurais das aldeias costumavam comer vegetais e papas de aveia caseiras, até isso se tornava mais interessante adicionando algumas ervas da horta. Nas cidades, a comida podia ser tão deliciosa e interessante quanto a nossa variedade de hoje – se você tivesse dinheiro, é claro.

O melhor lugar para encontrar os sabores que estamos acostumados hoje em dia seria Londres, onde os navios mercantes do continente atracariam primeiro. Quanto mais longe você vivia de Londres, mais caras eram as especiarias.

Nos mercados da cidade, era possível encontrar alimentos modernos como gengibre, pimenta, cominho e cravo, além de outras especiarias. A julgar por algumas das receitas da época, não era incomum encontrar coisas como arroz no mercado da cidade, importados da Ásia.

7 – Esporte antiquado

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Quando pensamos em esportes medievais, imaginamos atividades como arco e flecha e combate. Há evidências consideráveis, no entanto, de que um dos esportes mais populares desfrutados pelas pessoas medievais era uma forma de futebol.

O jogo era semelhante ao futebol moderno, mas com algumas diferenças fundamentais: a bola poderia ser manuseada por qualquer parte do corpo (incluindo as mãos), as equipes eram geralmente compostas por 300-500 pessoas, além de lutar, chutar, socar e geralmente jogar as pessoas para fora do jogo era normal.

Por incrível que pareça o jogo era popular e bem organizado mesmo no início do período medieval. Quando William Fitzstephenin visitou Londres, em 1170, ele observou que os jovens da cidade gostavam de sair depois do jantar e jogar bola. Ou seja, era um esporte saudável a todos.

6 – Toques de recolher nas cidades

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O crime era um grande problema nos tempos medievais. Sem dúvida, foi alimentado pela falta de uma força policial e pela exigência legal de que todos tivessem uma arma. Mas as pessoas se esforçavam para reprimir o crime, especialmente os cometidos à noite (quando era mais difícil encontrar uma testemunha) emitindo toques de recolher – a proibição de andar nas ruas após um certo horário – nas cidades.

É isso mesmo: se você passasse a noite em uma cidade medieval, era esperado que ficasse dentro de casa após o sino do toque de recolher, que geralmente acontecia pouco antes do pôr do sol. Se você administrasse uma estalagem, seria legalmente responsável pelas ações de qualquer um que permanecesse em seu estabelecimento depois que o sino tocasse.

Assim, os proprietários dos estabelecimentos mais desordeiros simplesmente chutavam seus clientes para a rua após o toque de recolher ser arrematado pelo guardas noturnos, que geralmente eram apenas voluntários. Os portões da cidade fechavam e ninguém tinha permissão de entrar ou sair até que o sino tocasse novamente pela manhã. Era considerado crime andar sem lanterna depois de escurecer ou transitar ao nas ruas sem um bom motivo.

5 – Pedágios

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Assim como os impostos são quase inevitáveis nos dias de ​​hoje, o mesmo ocorria nos tempos medievais. Podemos não esperar isso considerando a enorme quantidade de organização e esforço necessários para executar um sistema de impostos adequado. E, embora os impostos medievais fossem muito mais simples do que os de hoje, os pedágios cobrados pela entrada nas cidades eram precisos e complicados em certos lugares.

O pedágio era uma das principais fontes de renda dos conselhos municipais medievais, pois eram lucrativos e bastante simples de coletar. Na maior parte, o direito de sair e entrar em uma cidade de graça era dado a todos os residentes. No entanto, os viajantes tinham que pagar uma pequena taxa para entrar.

A maior parte dos pedágios eram coletados de pessoas que viajavam para o mercado para vender seus produtos e cada cidade tinha suas próprias listas de tarifas para cobrar por diferentes tipos de mercadorias.

4 – Prostituição legalizada

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Poderíamos imaginar as cidades medievais, bem como os senhores do campo, eram altamente restritivos a respeito das atividades dentro de suas muralhas. Mas havia algumas liberdades permitidas que até hoje são ilegais ou, no mínimo, altamente reguladas. Uma dessas áreas era a prostituição.

A sociedade medieval tinha visões muito diferentes sobre gênero, sexo e comportamento das pessoas do que nós agora, e os indivíduos medievais eram muito mais violentos e acostumados a interações hostis. Assim, vemos a tolerância generalizada de bordéis em cidades medievais, embora o sexo fora do casamento fosse visto como pecaminoso.

Bordéis eram permitidos por uma razão bastante simples. Para a mente medieval, a luxúria masculina precisava ser satisfeita de maneira segura para proteger a inocência das mulheres.

Porém, a prostituição ainda era monitorada e regulamentada. Na verdade, os bordéis eram obrigados a manter registros detalhados de suas operações que eram livremente acessíveis aos funcionários do conselho. Também tinham que lucrar para serem viáveis. E certamente não eram financiados pelo governo ou pela igreja.

3 – Liberdades individuais

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Acredita-se frequentemente que as pessoas medievais – especialmente os pobres – viviam vidas altamente restritas ligadas à terra em que nasceram como propriedade de seus senhores. Embora esse não fosse o caso em todos os lugares – e os camponeses pudessem solicitar audiências nos tribunais se o seu mandatário não o tratasse corretamente – isso era amplamente verdade para aqueles que viviam em áreas rurais.

Nas cidades, entretanto, era uma história completamente diferente. Independentemente do seu nível de riqueza ou circunstâncias passadas, qualquer um que vivesse em uma cidade era considerado cidadão. Eles eram homens livres que não deviam a ninguém. No entanto, eles ainda tinham que obedecer à lei e pagar seus impostos.

2 – Fiscalização da qualidade

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Em uma época anterior aos direitos humanos, garantia de qualidade e uma força policial organizada, é fácil acreditar que as compras no mercado seriam muito mais arriscadas do que são hoje. Em alguns casos, isso era verdade. Certamente, nos mercados mais baratos ou nas barracas de pequenos comerciantes independentes, o comprador tinha que ficar de olho em produtos suspeitos.

Os comerciantes muitas vezes faziam truques para enganar clientes apressados ​​– por exemplo, cobrindo um saco de grãos ruins com uma pequena camada de grão fresco. Havia leis contra isso, mas muitas vezes eram ineficazes porque o comércio desonesto era difícil de provar.

Quando as guildas se desenvolviam, tais práticas se tornavam cada vez mais raras, em grande parte devido aos padrões rigorosos aos quais as guildas mantinham seus membros. O objetivo principal de uma guilda era garantir que as pessoas pertencentes a um determinado comércio pudessem ganhar uma vida decente e tivessem uma forma de segurança social em uma época em que os governos não ofereciam assistência social.

No auge da influência das corporações, uma exigência legal para alguém que praticasse uma profissão específica era pertencer à guilda desse comércio. Um membro de uma guilda poderia esperar algum tipo de seguro saúde e vida fornecido pelo principal fundo da corporação, bem como subsídios para membros mais pobres ou com famílias numerosas.

1 – Fluxo contínuo de pessoas

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Embora a maioria de nós saiba que as cidades medievais eram muito pequenas comparadas com as modernas, podemos não saber que as populações da cidade eram muito mais flexíveis do que são hoje. Enquanto a população real de uma cidade primitiva pode ser bastante baixa, o número de habitantes diurnos pode aumentar em até duas ou três vezes quando os comerciantes e viajantes chegam ao local para comprar e vender ou simplesmente transitar.

Houveram várias razões para isso isto. Primeiro, as cidades eram barulhentas, sujas e relativamente inseguras. Em segundo lugar, morar em cidades era caro e as terras também. Mas a principal razão era simplesmente não haver benefício em morar em uma cidade para a maioria das pessoas. Numa época em que a grande maioria das pessoas estava envolvida em profissões rurais ou possuíam habilidades rurais, morar em uma cidade poderia ser um obstáculo.

As únicas pessoas que viviam em cidades eram indivíduos que mexiam com artesanato como ferraria ou palha (onde havia contínuo demanda por seus serviços), os comerciantes que precisavam estar perto de seus armazéns e mercados e os ricos.

E você, sabia dessas curiosidades? Conte pra gente nos comentários!

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