10 coisas que você precisa saber sobre o Anonymous

Você já ouviu falar da “organização” intitulada ‘Anonymous’, que supostamente está por trás de uma série de incidentes envolvendo hackers, vazamentos de dados e confrontos com as autoridades? Nessa lista, você vai conhecer um pouco melhor sobre essa rede de internautas anônimos, e o que você deve saber caso pense em se tornar um deles.

1. Primeiro de tudo, não existem líderes.

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O ‘Anonymous’ surgiu em um fórum da Internet, chamado ‘4chan’. Nos primórdios, eram principalmente fãs de anime e games que se reuniam em total anonimato (de onde surgiu o nome) para compartilhar imagens e fazer comentários sarcásticos. Com o passar do tempo, uma forte comunidade com um sentimento de busca por justiça acabou surgindo no fórum. E foi exatamente a partir daí que o ‘Anonymous’ como o mundo conhece hoje apareceu.

Por conta disso, não há um líder específico para a “organização”, que sequer pode ser chamada desta forma adequadamente, motivo pelo qual usamos as aspas. Em última análise, o Anonymous é um movimento totalmente apartidário e sem líderes, bem como livre de códigos de conduta e/ou moral. Alguns membros, no entanto, acabam se destacando, seja pelo engajamento nas discussões ou por provarem suas habilidades como hackers.

2. Não há nada que lhe impeça de se autoproclamar um Anonymous.

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Por conta da natureza livre e anônima deste movimento, ninguém pode lhe impedir de sair por aí dizendo que você é um membro dele, nem de produzir conteúdos para a Internet e se engajar dentro da comunidade. Entretanto, é prudente saber que nem sempre as pessoas deste movimento atuam dentro dos limites da lei. Muitas vezes, atividades como vazamento de dados, invasão a servidores e base de dados do governo e etc podem ser consideradas crimes cibernéticos, e se de alguma forma você for pego em flagrante atuando diretamente nestas operações, você pode ter problemas com a lei.

Há, é claro, muitas pessoas que buscam apenas aparecer e chamar atenção para si dentro do movimento, mas como não há uma estrutura e hierarquia, é difícil saber quem está apenas brincando e quem realmente está engajado.

3. Seus membros usam várias ferramentas para proteger seus computadores.

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Aqueles que participam das discussões e atuam nas atividades do Anonymous precisam utilizar várias camadas de proteção para esconder suas verdadeiras identidades. A maioria dos contatos se dá por um protocolo de comunicação conhecido como IRC, reforçado por vários sistemas de encriptação de dados para que ninguém corra o risco de ter sua identidade real vazada por outros membros ou eventualmente descoberta pelas autoridades, no caso de alguma atividade potencialmente contra a lei.

Na maior parte do tempo, mesmo os membros que desafiam a lei o fazem por um “bem maior”, como a divulgação de informações de relevante interesse público ou a investigação de fraudes envolvendo governos. Mas novamente, é muito difícil saber com quem você está lidando dentro de um movimento anônimo como este.

4. Nem todos os membros são hackers especializados.

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O Anonymous é bastante conhecido por ataques cibernéticos, como os famosos ‘DDoS’ (sigla em inglês para Distributed Denial of Service), um tipo de ataque que derruba servidores enviando um excesso de informação para eles, causando uma sobrecarga. No entanto, nem todos os membros do movimento possuem o conhecimento informático necessário para realizar este tipo de ataque, bem como outros mais complexos.

Na verdade, muitos dos membros acabam cedendo (por vontade própria ou não) seus computadores como “bots”. Na prática, os poucos membros que realmente atuam como hackers se apropriam das máquinas de outros membros, controlando-as e utilizando-as para enviar informações ao mesmo tempo para servidores comandados por governos, grandes empresas e etc.

5. Fazer parte do Anonymous não é essencialmente um crime, mas algumas atitudes podem lhe levar para a cadeia.

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Uma das principais ferramentas utilizadas pelos hackers do Anonymous para realizar ataques é o LOIC, um software que permite a realização de ataques DDoS, e que foi amplamente utilizada no começo da popularização do movimento para realizar trotes, pregar peças e atrapalhar o funcionamento de servidores governamentais.

Brian Thomas Mettenbrink, um jovem de 18 anos na época, serviu um ano de prisão nos Estados Unidos e precisou arcar com uma multa de 20 mil dólares por derrubar servidores ligados ao movimento conhecido como ‘Cientologia’.

6. Associação com a pirataria.

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Em meados de 2010, quando o Anonymous já não gozava de tanta popularidade quanto outrora, um software conhecido como ‘Aiplex’ começou a combater sites conhecidos por hospedar conteúdos pirateados, como filmes, jogos e licenças gratuitas para softwares pagos. Entre estes sites, o mais famoso era o ‘The Pirate Bay’, utilizado amplamente para baixar arquivos via Torrent – um sistema que permite o compartilhamento de arquivos entre usuários da Internet de qualquer parte do mundo.

Foi nesse momento que muitos membros do Anonymous que já se encontravam fora dos servidores de comunicação, e resumiam suas atuações apenas ao fórum do 4Chan, voltaram à ativa. Juntos, eles causaram mais de 530 horas de paralisação em websites ligados a empresas de proteção e controle de direitos autorais.

7. Apoio à WikiLeaks e batalha contra o Paypal.

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Em 2010, o governo americano decidiu dar um forte golpe na WikiLeaks, site que havia tornado público mais de 500 mil documentos sigilosos dos EUA. Como retaliação, os EUA forçaram o Paypal, principal site de pagamentos on-line, a cortar todo o suporte à WikiLeaks, causando transtornos ao seu funcionamento.

Em resposta, membros do Anonymous se mobilizaram para derrubar serviços ligados ao Paypal, e para tanto construíram uma rede imensa de Bots, contaminando os computadores de milhares de internautas no mundo inteiro sem o consentimento deles, utilizando um vírus de computador. Ao todo, estima-se que o Anonymous tenha causado um prejuízo de 5,5 milhões de dólares ao Paypal. Por conta dessa atividade ilícita, 14 pessoas foram consideradas culpadas pelo governo americano depois que a empresa enviou ao FBI o IP dos hackers.

8. A “Guerra dos Hackers”.

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Uma dissidência do grupo ‘Anonymous’, a LulzSec, formada por hackers motivados por nada mais do que a vontade de pregar peças, começou a atacar alvos inocentes na Internet. Liderados por um indivíduo de codinome ‘Sabu’, os LulzSec realizaram vários ataques a pessoas inocentes, divulgando dados pessoais de participantes do programa ‘The X Factor’, usuários de sites de vídeos pornográficos e veículos da imprensa.

Em represália, grupos de hackers como o “TeaMpOisoN” e o “Team Web Ninjas” passaram a despender esforços no intuito de identificar os membros da LulzSec, levando as informações para as autoridades.

As investigações chegaram à conclusão de que o homem por trás de ‘Sabu’ era Hector Xavier Monsegur, de 28 anos, morador de Nova Iorque.

9. O Traidor.

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Hector Monsegur, o ‘Sabu’, acabou sendo encontrado pelo FBI em 2011, e optou por colaborar com a polícia dos EUA no sentido de identificar outros integrantes da LulzSec.

Durante meses, Hector liderou operações criminosas no grupo intitulado ‘AntiSec’, tudo sob os cuidados do FBI.

Como em uma emboscada, vários hackers acabaram tendo suas identidades descobertas pelos investigadores.

10. Hoje em dia, o Anonymous já não é mais o mesmo.

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Com a grande maioria dos maiores hackers presos ou fora da cena, o Anonymous precisou se renovar. E a nova geração que entrou nem de longe causou tanto alvoroço quanto a anterior. Logo após a captura de Sabu e os eventos que seguiram, os participantes dos chats IRC passaram a não confiar mais uns nos outros, e a maior parte dos hackers passou a atuar de forma solitária, com ações dispersas.

Recentemente, um grupo de membros do Anonymous tentou se engajar em divulgar uma lista de membros do Ku Klux Klan, mas o resultado não foi tão positivo, já que a maioria dos nomes revelados eram, na verdade, de racistas totalmente abertos, que sequer se esforçavam em esconder o preconceito. Além disso, algumas pessoas acabaram sendo injustamente acusadas de fazerem parte do grupo racista, como aconteceu com o cartunista Ben Garrison, que teve seus desenhos adulterados para que parecessem conter mensagens antissemitas.

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