Fotos sombrias de um manicômio onde a loucura está cheia de crueldade e esquecimento

Fotos sombrias de um manicômio onde a loucura está cheia de crueldade e esquecimentoFotos sombrias de um manicômio onde a loucura está cheia de crueldade e esquecimento
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Imagens sombrias.

Dentre as barras da jaula saiu um braço de mãos finas e unhas horrorosas. Ao chegar perto vi a lua nos olhos do lunático, um homem que parecia um monstro. Ele sorria sem sentido algum, afinal, ninguém com um pouco de normalidade gostaria de estar preso. Apesar de seu aspecto, a expressão desafiante em seu rosto e seus movimentos particulares me chamaram atenção.

Caminhando pelo corredor rodeado de cores em preto e branco, vi duas mulheres sentadas, uma ria sem parar e a outra se escondia por baixo de um roupão escuro. Logo um homem chegou perto, pegou meu braço, virei para olhar seu rosto e ele me disse “socorro”. Nesse momento minha mente e alma congelaram, fiquei sem reação.

Aquele manicômio não era muito grande, mas de todos os lugares apareciam loucos de todo tipo. Alguns se reuniam no jardim, outros se escondiam em baixo das mesas e atrás de suas camas, outros não entendiam aos outros, e nem a si mesmos. Porém nada era mais triste que a forma como essas pessoas eram tratadas: com crueldade e esquecimento.

Raymond Depardon é quem viveu essa experiência. É autor do livro “Manicômio”. No livro, expõe a série de fotografias que realizou durante os anos 70 em distintos centros psiquiátricos na Itália. Suas fotografias estão cheias de crueldade e esquecimento, porque os pacientes desses manicômios foram deixados por suas famílias para terminarem ao cuidado de pessoas que não fazem mais que os depreciar.

Durante os anos em que Depardon trabalhou na Itália, teve a oportunidade de conhecer a Franco Basaglia, diretor do manicômio Trieste. Este homem foi um dos maiores representantes do movimento antipsiquiátrico no país porque ele ia em contra às condições deploráveis em que operavam os manicômios na época.

Antes disso acontecer, Depardon documentou a triste realidade em que dezenas de pessoas de todas as idades eram abandonados até se encontrarem em roupas sujas, quartos frios e tratamentos hostís.

O rolo de fotos tiradas pelo fotógrafo permaneceu oculto por décadas, até a poucos anos atrás um fotógrafo francês decidir editar seu trabalho e mostrá-lo ao mundo.

Essas imagens se encontram no livro “Manicômio”, que guarda vestígios da época mais sombria da psiquiatria italiana.

Porém a crueldade e o esquecimento não são exclusivos da Itália ou de décadas atrás, pois ainda hoje muitos pacientes no mundo todo são torturados por enfermeiros irresponsáveis. “Manicômio” é só uma pequena mostra desse inferno onde a brutalidade e a omissão são o único que se conhece.

Imagens: Raymond Depardon

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Fundador e proprietário do site e página Mistérios do Mundo, formado em Análise de Sistemas e amante da natureza, ciência e tecnologia. Largou o emprego para se dedicar exclusivamente a esse projeto e faz isso desde 2014. É paulista, e mora em Cascais/Portugal. Meu perfil pessoal: https://www.facebook.com/LucasRabelloMDM

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