Ficção ou fato científico: é possível viajar no tempo?

é possível viajar no tempo
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De um ponto de vista puramente físico, viajar para o futuro não é algo completamente impossível e de fato acontece todo... o tempo.

No primeiro filme de “De volta para o Futuro”, tudo o que levou para viajar no tempo foi 1,21 gigawatts e um capacitador de fluxo (empacotado em um carro esportivo DeLorean, concedendo alguns pontinhos no quesito estilo). Apesar de séculos de sonhos e décadas de pesquisa de boa-fé, os capacitores de fluxo permanecem além do nosso alcance, assim como qualquer outro dispositivo desse tipo de viagem.

De um ponto de vista puramente físico, viajar para o futuro não é algo completamente impossível e de fato acontece todo… o tempo. Com o respeito devido a Doc Brown, entretanto, viajar para o passado torna-se uma proposição muito mais complicada.

“Podemos viajar em diferentes graus para o futuro”, disse Seth Lloyd, um professor de engenharia mecânica quântica do Instituto de Tecnologia de Massachussets. “Para entrar no passado e mexer com ele, acaba sendo mais controverso.”

Meu relógio ou o seu?

Como um exemplo real e cotidiano de viagens no tempo, vamos considerar os satélites do Sistema de Posicionamento Global. Se não fosse pelas calibrações embutidas, os relógios atômicos do GPS ganhariam 38 microssegundos sobre os relógios terrestres diários, jogando fora sua exatidão de posição por diversas milhas. “Os relógios da Terra são um pouco mais lentos do que os satélites do espaço”, disse Lloyd.

O motivo: a dilatação do tempo, como descrito pelas duas teorias da relatividade de Einstein. De acordo com a teoria especial, quanto mais rápido um objeto se move em relação a outro objeto, mais lentamente ele experimenta o tempo. Para satélites GPS se movimentando em torno da Terra a quase 9,000 mph (14,000 km/h), este efeito corta sete microssegundos de seus relógios diariamente (em relação aos relógios da Terra).

O segundo efeito, explicado pela teoria geral da relatividade, envolve a gravidade. Relógios mais próximos do centro de uma massa gravitacional, como a Terra, movem-se mais lentamente do que aqueles mais distantes. Satélites GPS orbitam 12,500 milhas (20,100 km) acima do solo, e como resultado têm 45 microssegundos adicionados aos seus relógios a cada dia. O resultado líquido dos dois fenômenos relativistas é de 38 microssegundos, que os engenheiros têm contabilizado com a tecnologia GPS.

Futuro, aí vamos nós

Ambos os caminhos de dilatação através do tempo – movimento através do espaço ou um poço de gravidade forte – permitiriam a viagem no tempo para o futuro.

Uma imagem popular do primeiro cenário envolve astronautas atravessando a bordo de uma nave espacial em uma velocidade extremamente elevada à uma estrela distante. Após seu retorno, os ocupantes da nave terão envelhecido meros anos, enquanto séculos passaram na Terra. (Uma versão não intencional desta situação ocorre com Charlton Heston e sua tripulação no filme original de 1968,  “Planeta dos Macacos”.

Fazer tal façanha é realmente apenas uma questão de investimento, tecnologia e vontade. “Fazer um ‘salto secular’ através da relatividade exigirá algumas soluções de engenharia para coisas como construção de motores de foguetes com suprimentos de combustível suficientes para viagens muito prolongadas”, disse Jeff Tollaksen, professor de física na Universidade de Chapman em Orange, Califórnia.

Ir a uma estrela distante e voltar nem sequer seria necessário – tudo que é requerido é movimento. O efeito de viajar no tempo seria alcançado simplesmente girando em uma centrífuga gigante em velocidades próximas da luz, disse Tollaksen (embora mataria qualquer um que tentasse).

O segundo cenário, baseado na gravidade, apresenta letalidade semelhante, pelo menos para alguém que deseje uma diferença apreciável em seu tempo relativo. Se você ficasse em uma estrela de nêutrons por alguns anos, uma década se passaria na Terra. Naturalmente você não sobreviveria à gravidade esmagadora da estrela supermassiva, garantindo nesta abordagem o seu “descanse em paz”.

E quanto a mergulhar no passado?

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Luciana Calogeras é professora e pesquisadora curiosa em diversas áreas do conhecimento. Qualquer sugestão ou feedback, fique à vontade para entrar em contato em seu perfil do Facebook.

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